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Há notícias que irrompem no fluir noticioso dos media e nos fazem sentar, pensar, o olhar preso a uma esquina azul do horizonte. Aqui está uma história de quem já estava no “corredor da morte”, provavelmente a poucas horas de conhecer o seu carrasco, mas consegue iludir os guardas e, literalmente, saltar a cerca fugindo para a floresta.

Estas histórias normalmente acabam mal, a desproporção de meios entre perseguidores e perseguidos é enorme, as pessoas são influenciadas pelos media e denunciam qualquer estranho em fuga que surpreendam nas traseiras de casa.

O foragido é sempre visto como uma besta sanguinária e um perigo para a comunidade. Não é o caso, ainda que tenha todo o direito de, na luta pela liberdade e pela vida, usar da violência.

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O drama maior desta fuga é bem a imagem dos problemas que afligem a Humanidade, desde o sec.XX, principalmente: o mundo encolheu, deixaram de haver os grandes espaços selvagens para onde um foragido à justiça, à sociedade ou aos seus próprios demónios possa escapar e seguir vivendo.

Tomo nota, também, como a sociedade é indiferente aos verdadeiros dramas, tratando-os como uma tourada, quando qualquer cão ou gato abandonado na rua tem direito a campanhas de lágrima no olho nas páginas do facebook. (ACTUALIZAÇÃO em 18-05-13: página do Facebook  Touros em Fuga dedicada aos dois foragidos)

Hoje, “o mais perigoso” dos membros da alegada quadrilha (uma invenção dos media, diga-se) foi detido por populares, que não tendo coragem de o pegar de caras, dominaram-no com cordas. Um dia destes, os corajosos cidadãos que colaboraram com a justiça irão festejar o feito comendo um bom bife, certamente. Mal passado, se calhar.

O mundo é mesmo um lugar perigoso para andar por aí…

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Comentários a: "“Condenado à morte em fuga capturado no Minho”-notícia de última hora" (4)

  1. Tra le tue parole metaforiche, caro Pepe, leggo non solo una velata ironia ma anche tanto biasimo… Penso che la “bestia” della quale tu parli sia davvero quel povero animale braccato dentro il recinto di una corrida ipotetica (prigione)… e se ti riferisci ai pregiudicati scappati di prigione nel nord della Francia, comprendo.
    Certo in questo ventesimo secolo le cose sono peggiorate eccome… ma credimi, non abbiamo ancora toccato il fondo! Ho paura per i miei ragazzi, per ciò che potranno trovarsi di fronte in eredità, lascito di una “mandria” (utilizzo proprio il termine appropriato) di egoisti disgraziati ed irriverenti (la nostra generazione).
    E potrei perdermi. In fondo questi sono veri meandri che pupillano di esempi tanto selvaggi quanto incomprensibili… guardiamo a ciò che sta accadento in medio Oriente… o spostiamoci di un tantino più ad est verso Corea… ma in fondo se passo con l’indice sopra il mappamondo di mio figlio, forse non vi è angolo di terra dove non vi siano pasticci e problemi di svariate entità (neppure nel blu degli oceani si è tranquilli!)
    Dai, per questa sera basta così altrimenti avrò il sonno agitato. Alla mia età devo stare attenta 😉
    Ti auguro comunque un resto di settimana gradevole e tranquilla :-)claudine

    • Olá Claudine

      tem razão a propósito do que diz, embora o acontecimento a que me refiro seja um “fait-divers” que os media apreciam e eu, metaforicamente (como a Claudine disse) ainda aprecio mais.

      Percebo o desalento, fruto da sua sensibilidade e conhecimento, e gosto dessa imagem literal, mas poética, do dedo sobre o mapa-mundi do seu filho: também eu muitas vezes “viajo” assim. Curiosamente, vejo nesse seu gesto a expressão da ideia central deste post: o mundo encolheu, já não há espaços selvagens para onde possamos fugir, explorar ou, simplesmente, viver afastados do curso de certos acontecimentos. Pelo seu comentário e por esta bela imagem, fico feliz e agradeço.

      Longe de ser uma justificação à indiferença, reconheço haver assuntos para os quais não temos solução (nós individualmente, bem entendido), e digo que por isso mesmo não vale a pena perdermos o sono ou estaremos a aumentar o mal de que nos queixamos. Para brincar com a Claudine, esta é a minha lei do karma: se pensas demais naquilo para o qual não tens solução, passas a ser parte do problema

      E, então, na nossa idade…

  2. recebemos o seu texto e gostamos imenso, quando refere a falta de espaços selvagens para onde possamos fugir.

    Obrigado pela inspiração Touros em fuga

    • Estão vocês de parabéns pela iniciativa, para alguns quixotesca ou absurda, mas que responde ao meu anseio duma sociedade que respeite espaços aonde o animal selvagem possa viver.
      E falo dum ponto de vista egoísta, humano: nós precisamos que esses espaços e esses animais existam.
      Nesta história seria o caso de animais domesticados, mas parece que não é assim que eles próprios se sentem…

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