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Curiosa experiência de Paul Miller, cidadão do sec.XXI e residente algures entre o Canadá e o México: um ano inteiro sem estar ligado à net. Tendo eu próprio passado dezenas de anos da minha vida sem sequer imaginá-la, quanto mais experimentá-la, devo ser um case-study exótico. Verdade: foi no passado século, mas deu para sobreviver.

Falando sério: no mundo actual este isolamento voluntário é uma experiência estranha, e algo virtual, entendo eu de que.

Na verdade, Miller é redactor dum blog que lhe paga o ordenado direitinho (coisa que a Administração deste blog Novo Mundo infelizmente não faz aos seus redactores)  e passou a publicar semanalmente suas crónicas do deserto, entregando uma pen com os textos. Creio que se vivesse em Portugal, não conseguiria cumprir suas obrigações fiscais sem estar conectado, mas isso são detalhes.

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A experiência tem um valor notável: Miller descobriu alguns factos importantes da Vida, do Homem, do Tempo e do Mundo (sim, com letra maiúscula).

Por exemplo: descobriu que a tecnologia não é responsável por torná-lo pior ou melhor pessoa do que é; percebeu que as alterações radicais dos hábitos podem ter um efeito salutar, mas este acaba por deixar de ser percebido como tal ao fim de algum tempo; reconheceu que a vida social cara-a-cara exige competências diferentes das que são exigidas para clicar num botão like it.

Ou que a ausência de estímulos exteriores obriga-o a confrontar-se com os seus demónios interiores, embora suspeite que, no caso de Miller, a ausência destes levou-o a ter de combater o pior de todos os inimigos duma alma em busca da redenção: o tédio.

Seu relato desses 12 meses off-line, no meio da civilização, é comparável à dos monges egípcios do sec.IV que se refugiavam no deserto, e com vantagem.

É que Miller regressou ao nosso mundo, o da realidade virtual e da conexão instantânea entre milhões de pessoas sem limites de distância, para nos contar o que aprendeu sobre si mesmo: o homem é um ser social e precisa de estímulos para dar sentido à própria existência.

E que a tecnologia nem é Deus, nem o Diabo, mas uma ferramenta.

Com muito menos fundaram-se religiões e criaram-se impérios.

Se o meu blog me pagar qualquer coisita, estarei disposto a passar um ano a conduzir o carro sem falar ao telemóvel ou a criar uma conta no Facebook sem aceitar pedidos de amizade. E, se sobreviver a isto, voltarei para contar como foi. Num e-book, provavelmente.

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