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No seu último livro publicado (La civilización del espectáculo ed.Alfaguara que eu não li), Vargas Llosa  desenvolve o tema do “triunfo da frivolidade” dando como exemplos desse fenómeno, entre outros, o ascendente da moda e da gastronomia. Numa entrevista explica-se:

No tengo nada contra la moda, me parece magnífico que haya una preocupación por la moda, pero desde luego no creo que la moda pueda reemplazar a la filosofía, a la literatura, a la música culta como un referente cultural. Y eso es lo que está pasando.

Hoy en día hablar de cocina y hablar de la moda, es mucho más importante que hablar de filosofía o hablar de música.” (in el país 15 de abril 2012)

Os meios de comunicação, a educação académica, a politica ou erotismo, são desvirtuados de modo a se tornarem objectos de entretenimento. E isso tornou-se possível graças ao empobrecimento em que redundou a “democratização da cultura”, perdendo a capacidade de descriminação e de referenciais, resultando num caos. E “como no hay manera de saber qué cosa es cultura, todo lo es y ya nada lo es”.

O processo não se restringe à “cultura” com maiúscula, mas a todas as manifestações sociais, desvalorizando tudo à luz dum cinismo niilista que tolera a fraude e a corrupção politica, por exemplo, desmotivando a participação dos cidadãos e abrindo a porta ao obscurantismo trapaceiro.

Todo este tema não é propriamente novo: Nietszche pode ser o pioneiro assumido desta crítica e os anos 60-70 do século passado desenvolveram-no profundamente dos mais variados ângulos.  Porém, como diz Vargas Llosa na referida entrevista: “Yo creo que sería una tragedia que justamente en una época en que hay un progreso tecnológico, científico, material extraordinario, al mismo tiempo, la cultura vaya a convertirse en un puro entretenimiento, en algo superficial, dejando un vacío que nada puede llenar, porque nada puede reemplazar a la cultura en dar un sentido más profundo, trascendente, espiritual a la vida”.

"Desculpe,estou tentando apreciar o meu jantar, mas a vossa conversa idiota está a matar lentamente o meu cérebro."
A PREOCUPAÇÃO COM OS FUMADORES PASSIVOS RAPIDAMENTE CRESCEU DE MODO A INCLUIR OUTROS PERIGOS.

Num outro registo, o crítico gastronómico Xavier Agulló defende a sua dama com argumentos respeitáveis:

La gastronomía está rodeada de muchos elementos, la salud es uno de ellos, pero otro es el turismo. Cada vez más personas planean las vacaciones en función de los restaurantes que podrán visitar y eso tiene una importancia capital en nuestro PIB.

Si opinas que la gastronomía son unas lentejas con chorizo, pues sí, tal y como está evolucionando te puede parecer una frivolidad. Pero también dijeron lo mismo de los cubistas. Se trata de abrir la mente” (in el mundo de 22 de abril de 2012)

E eu não posso estar mais de acordo com ele. Se tivesse de organizar uma viagem pela Europa restrita a um número limitado de países, privilegiando também a gastronomia, seria a Europa dos queijos e do pão, das azeitonas e do azeite, dos pratos de peixe e de porco. E dos vinhos, evidentemente.

Alta cultura não é certamente, mas por aí passa o Mediterrâneo e o Atlântico, Roma e Atenas, reinos latinos e mouros, castelos e catedrais, poesia provençal e música andaluza, Renascença e Descobrimentos, etc, etc.

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