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fado triste

Nestes séculos da história recente da falta de auto-estima portuguesa, volta-e-meia surgem “corridas do ouro” tão típicas na ilusão, como no resultado. Veja-se este artigo do JN onde se fala dum programa de obras de barragens e como as oportunidades de negócio surgem como cogumelos em localidades algo remotas e esquecidas: os arrendamentos tornam-se mais lucrativos graças aos trabalhadores migrantes trazidos pela barragem; restaurantes e cafés idem, pela mesma razão. E os media ajudam à euforia dando a nota vibrante e optimista.

Daqui a um tempo, talvez dois, talvez 3 anos, as obras acabam e os trabalhadores já terão sido desmobilizados (desempregados?) e partido para outras terras. E seca estará a árvore das patacas. À semelhança de centos de casos semelhantes nas últimas décadas, o subdesenvolvimento será o mesmo do tempo anterior à barragem.

E a riqueza gerada pela barragem, sempre tão bem publicitada por governos, câmaras, etc? É ver a região do Alqueva, do Douro, e de todas as que sofreram semelhantes “corridas do ouro”. À excepção do turismo e da agricultura, que mais? Só que ambas actividades não dependem da barragem, e já lá “estavam” antes.

A barragem, pelo contrário, é que pode prejudicar a região. A curto e longo prazo.

Mas é da nossa falta de auto-estima insistir sempre nos mesmos erros. É o nosso fado. Como o texto abaixo relata, há tesouros e oportunidades douradas que são   prejudicadas por todos: população, autarquias, governo central…

Triste é perceber que o Porto vira destino turístico com o apoio de uma empresa estrangeira e a quem o Estado dificulta a vida.

Que a cidade reanima o seu centro com novas lojas e habitação com a iniciativa privada (possível) e que as entidades de licenciamento continuam a dificultar e a impor regras que não se aplicam. Que a excelente movida nocturna, que também já veio publicitada na comunicação estrangeira, não tem regras de convivência com a cidade e não há quem as saiba fazer. Que recebemos turistas e vivemos uma cidade que não liga ao seu Património, às suas margens e trata cada lado do rio como se dois feudos se tratassem. Que os buracos imperam em todas as ruas da cidade e só se asfalta o trecho do autódromo do Parque da Cidade.

Não continuo porque afinal a época é Natalícia e será melhor fazer de conta que há que “adoçar”. (Alexandre Burmester in A Baixa do Porto)

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Comentários a: "fado triste" (3)

  1. Pepe, forse non si riuscirà mai a comprendere appieno l’Uomo…
    Questa “bestia pensante” che si differenzia dagli animali solo per la sua stupidità dettata dalla sete di guadagno e dall’invidia…
    Non c’è giorno che passi senza lasciarci evidenti segni di degrado: i politici, che pensano unicamente al loro prestigio e ricchezza (e vige l’omertà).
    Di chi poi ancora possiamo fidarci?
    Paghiamo tasse, lavoriamo per pagarle, facciamo girare questa “macchina” così ben orchestrata che può solo diventare una trappola mortale…
    Di fatto: in periodo delle festività (ma non scordarti Pepe che anche queste sono volute unicamente per il commercialismo che a qualcuno riempie le tasche, poiché Gesù non è certamente nato il 25 dicembre!
    Siamo però così abituati a lasciarci abbindolare che ormai, come soldatini diligenti, sfiliamo ogni giorno della nostra esistenza cercando di non rompere le righe.
    Ammutinarsi? Certo, ma per poi finire dove?
    È un po’ come voler nuotare contro corrente… si fa una fatica diabolica e poi c’è il rischio di collassare e ritrovarti comunque travolto dai flutti col rischio di annegare.
    Vedi Pepe, io scrivo”trasgredendo” e nei miei racconti o romanzi, si può sempre leggere tra le righe 🙂 Un seminare però sopra un terreno poco fertile, è vero che pochi vogliono leggere storie criptate che mettono il ditino nella piaga (e fa male!) ma almeno la sottoscritta non dovrà mai fingere… in fondo, non ho permesso a nessuno di mettermi il bavaglio!
    Siamo degli utopisti, dei sognatori, io e te, Pepe. Ma cosa sarebbe il mondo se non ci fossero persone come noi?
    Una gran noia… penso…
    Un grande abbraccio e serenità per questo periodo dell’anno che volentieri vorrei poter mandare al diavolo!
    :-)claudine

    http://claudinegiovannoni.wordpress.com

    • Olá claudine,

      estes temas que desenvolve no seu comentário são pertinentes e antigos (penso no Livro de Job, por exemplo).

      Mas para retribuir os seus votos natalícios “ofereço-lhe” como prenda de Natal estas linhas do mais famoso poema dum poeta do sec.XX (que era, também, um extraordinário pedagogo e divulgador da Física):

      “Eles não sabem que o sonho/ é uma constante da vida/ tão concreta e definida/ como outra coisa qualquer/ …Eles não sabem, nem sonham,/ que o sonho comanda a vida,/
      que sempre que um homem sonha/ o mundo pula e avança/ como bola colorida/ entre as mãos de uma criança” (Pedra Filosofal, de António Gedeão-1956)

      E trago-lhe aqui a ligação ao poema inteiro musicado e cantado: http://www.youtube.com/watch?v=DuGbpW-pGYg

      Espero que goste, utópica e sonhadora como é (somos;))

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