novidades e outras coisas

Nos tempos da faculdade tomei conhecimento das serras de Valongo em passeios mais ou menos organizados até à Senhora do Salto e outros pontos de interesse. Apanhávamos o trolley no Bolhão até à S.Pedro da Cova, daí seguíamos a pé até ao destino e regressávamos de comboio, algures entre Recarei e Valongo.

O percurso pedestre que fazíamos em estradas de terra batida está hoje todo asfaltado e muitos trilhas, entretanto, foram abertas. Já naquele tempo, há 30 anos, o eucalipto era rei, a urbanização clandestina, desregrada e feia, passe a redundância, crescia ao longo da paisagem cada vez mais afastada do centro de S.Pedro da Cova, os pic-nics de Verão enchiam as margens do Sousa com carros, música pimba, churrascos e gente sem qualquer noção de preservação do ambiente.

Nessa altura já se falava dum projecto de parque natural, a começar ali e a acabar no Marco de Canaveses (se não estou em erro) que teria sido concebido anos antes do 25 de Abril mas sem qualquer consequência.

A criação do Parque Paleozóico de Valongo nos anos noventa é uma extraordinária realização que recupera alguns dos pontos fortes do tal projecto abandonado: um parque natural na área do Grande Porto, uma área de estudo e valorização ambiental e cultural, um travão à degradação urbanística que invade zonas rurais e florestais.

Só no passado domingo visitei o Parque Paleozóico e fi-lo ao modo bem português: de carrinho. Os percursos pedestres, desta vez, ficaram-se pela beira-rio, sem tempo para as subidas aos altos. Mas o incentivo poderia ser outro se as serras não fossem um viveiro de eucaliptos: só nas cotas baixas observa-se uma cobertura de bosque. De qualquer modo, as vistas justificam o esforço.

Como se pode ver pelas fotos anexas, a sensação de estar nas serranias xistosas da Região Centro é muito forte. Dentro do vale formado pela serra de Santa Justa e a de Pias, com o rio Ferreira a correr aparentemente limpo (tenho ideia de que há 30 anos era um rio tóxico), fica a ilusão de estarmos a centenas de quilómetros dum qualquer centro urbano de grande dimensão. Só mesmo a passagem de grandes aviões a baixa altitude são sinal da proximidade dum aeroporto.

A aldeia de Couce, no meio do vale, é uma jóia de arquitectura rural e museu vivo de outras épocas. Percebe-se que é preocupação do Parque valorizar a componente humana, mesmo sem se visitar os sites (ver aqui e ali e acolá).

Chegar lá é fácil…para quem conheça o caminho: vim do nó do Campo até Valongo e não consegui ver qualquer sinal a indicar o Parque (receio que seja o mesmo problema que afecta o Parque Oriental do Porto). No regresso, saindo pela extremidade oposta, foi a mesma coisa.

Sendo Domingo e estando nós no Verão, havia algum movimento de visitantes, mas desde a entrada à saída não observei qualquer tipo de vigilância. Infelizmente, o carro tem livre acesso a todo o lado onde caiba, como verifiquei nas margens do rio.

As trilhas florestais são pistas para motoqueiros, agora também na versão moto 4. Os pic-nics atraem o mesmo tipo de frequência de há 30 anos, com carro, lixo, música de fundo e ocupação abusiva de espaços.

Nada que não se resolva com pedagogia, mas receio que a tolerância a estes “divertimentos” seja a norma.

Para lá das paisagens e percursos, há as trilobites, os grauvaques e os fojos, mas isso são outras histórias…

 

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Comentários a: "parque paleozóico de valongo" (3)

  1. Che meraviglia, Pepe!
    In questo lembo paradisiaco l’Uomo solo può sentirsi un minuscolo granello di polvere…
    Dove acqua sgorga e scorre placida… il vento accarezza fronde e steli d’erba… gli animali possono vivere in serenità.
    Immagina: un immenso albero e, tra i suoi grossi rami, un rifugio costruito con legni e rami… come quand’eravamo bimbi e così ci rifugevamo lontano dalla realtà dei “grandi”.
    Immagini come queste mi fanno ricordare in moldo fulgido a quand’ero piccina… e così piena di sogni… di idee grandiose di pace ed amore…
    Grazie, per condividere con noi!
    Un grande abbraccio in serenità
    :-)claudine

    • O mais extraordinário é este parque situar-se a menos de dez km do centro do Porto, Claudine e dar a ilusão dum shangri-la.
      Curioso como as suas recordações de infância são semelhantes às minhas: devemos ter brincado nos mesmos sítios.
      obrigado

      • 🙂 estamos todos unidos, Pepe.
        talvez nós já jogou juntos em uma vida anterior …
        Eu acredito realmente na filosofia budista…
        na reincarnação, se todos nós acreditamos asim, poderia ser uma forma “delicada”
        para mudar radicalmente o comportamento humano.
        Não seria mais importante a “materialidade” e a conexão maldita que implica o egoísmo en cada ação.
        O homem consideraria a lei de “causa – efeito”: cada ação retorna para melhor e para pior se não for amanhã, em uma próxima vida…
        Nossa Mente é o que realmente importa …. Você não acha?
        serenidade e bom fim de semana, querido amigo

        :-)claudine

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