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Deus: "Ah, Noé...só mais uma coisa: com as mudanças climatéricas, este será o vosso clima para sempre."

Num dia, numa noite, daqui a muito tempo ( ou já no final do século), quem se dedicar a entender a crise económica e política deste “nosso tempo”, certamente ficará maravilhado pelo modo cândido e complacente como, sabendo de tudo, aceitamos tudo o que nos acontece e ainda virá a acontecer.

Que um país fosse à falência por causa das dívidas dos bancos, estes no exercício da sua actividade privada, é uma das pérolas de sabedoria a reter.

Que a maior economia mundial entre em profunda crise financeira ( e tudo o mais que se lhe segue), por causa de bancos e seguradoras que vendem algo que não entendo muito bem, mas têm poéticos nomes como “activos tóxicos” ou “obrigações de lixo” ao longo de anos, parece ser a própria definição da lei karmica da retribuição.

O que será motivo de maior espanto, não duvido, para esse hipotético futuro colecionador de curiosidades dos tempos passados (que serão “o nosso tempo”, então), será daquele pequeno país portugal que tentou fugir à crise mundial até ao último momento.

Como que a responder às dúvidas do colecionador hipotético futuro, um cronista da época passada (que ainda é a corrente, do nosso ponto de vista presente e garantido) adianta a resposta: casualidade, causalidade.

Que é como quem diz: em Março de 2011, fulano deixa a entidade A antes do termo do seu mandato enquanto presidente, por entender que já havia cumprido a missão para que o governo o nomeara.

Logo a seguir, uma coisa denominada Tribunal de Contas afirma por auditoria feita à dita entidade A que esta conseguiu renegociar brilhantemente uma dívida e, em vez de ficar a dever 178, passa só a dever 10000 (a unidade de valor é o milhão de euros). Saiba-se, ainda, que um dito consórcio B (liderado pelas empresas C e D) será o contemplado por mais de metade dessa verba renegociada.

Finalmente, em Maio de 2011, e em vez de se refugiar num merecido descanso após a missão cumprida em menos tempo do que o tempo que tinha para a executar, o dito fulano acima referido,vai continuar a “reestruturar empresas” e passa a liderar uma empresa E que pertence à empresa D que integra o consórcio B que renegociou a dívida com a entidade A de que o tal fulano fora presidente.

E, assim, para memória futura, fique registado com que malhas este pequeno império tece a sua tenaz resistência à crise mundial responsável por todos os nossos males.

P.S.: e para que ao futuro colecionador hipotético não lhe falte o arrepio duma conspiração bem mais incrível do que a de qualquer código da vinci, fica aqui a referência a este outro passado cronista. Porque a questão socrática do “conhece-te a ti mesmo” deve ser alargada para além do próprio Sócrates.

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