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leitura em linha

Há dias Há noites atrás assisti a um mini-debate sobre as vantagens da edição de livro-livraria-leitura tudo on-line. É um tema novo já com alguns anos, mas que se faz sentir com maior força. E a força maior são os preços reduzidos para o leitor quando os gadgets de leitura prometem ser cada vez mais cómodos e com maiores recursos.

Pessoalmente, que sou leitor da velha guarda e que gosta de ter meia-dúzia de livros abertos (porque não cabem mais sobre a mesa) para escrever duas linhas que seja sobre algum assunto, e não tenho ainda nenhum ipad/kindler ou coisa que o valha, sei com o saber feito de quem já viu muito (e percebe cada vez menos) que sendo as coisas como são, o “livro electrónico” está aí para ficar e durar. Pelo menos até que outro suporte de leitura o ultrapasse na relação custo-qualidade.

Algo de parecido se passou algures entre o sec.XV e XVI por causa da generalização da palavra impressa, em vez de manuscrita. Isso não acontece sem deixar mossas nos 5 sentidos e no intelecto, conforme McLuhan tão bem explicou em A Galáxia de Gutemberg, e muito monge-escriba se deve ter passado com a novidade. Eu próprio sofri a mudança de escrever com lápis/caneta para o teclado do computador (com a evolução intermédia da máquina de escrever), mas só posso estar grato pelo futuro da escrita não ter demorado tanto tempo que eu não o agarrasse.

Suponho que, no futuro-que-já-é-hoje, centenas de milhões de pessoas escreverão seus livros e estes estarão disponíveis on-line (centenas de milhões de títulos, portanto…). À semelhança do que já acontece com os blogues. E daí? Haverá mais leitores? Ou mais simples consumidores que se cansam após um rápido zapping das páginas virtuais? McLuhan terá dito (vejo no site que lhe é dedicado): the future of the book is the blurb [blurb: o pequeno texto que resume ou elogia a obra, usualmente colocado nas badanas ou na contra-capa do livro].

É, receio bem que a paciência e a concentração estejam irremediavelmente comprometidas. Principalmente se o objectivo da leitura é o prazer lazer . Mas, também por isso, imagino que o livro-tal-qual-é-hoje ficará reservado para o leitor-gourmet, tipo apreciador da slow-food, e será ainda um sinal irresistível de snobismo e de dinheiro. Assim, as edições cuidadas, com encadernações proibitivas ou coisa e tal, permanecerão, e para as bolsas menos competentes surgirão as edições de bolso, mas a preços em nada económicos comparados com os actuais bolsos. À escala temporal e financeira da minha vida, comparo àqueles fanáticos da edição original dispostos a pagarem fortunas nos alfarrabistas, as prateleiras cheias de livros de lombada em couro e tal e tal.

Enfim, bem vistas as coisas, nada de novo por debaixo do sol…

notoriedade como a) artista renascentista b) tartaruga ninja

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