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imaginário, é mesmo?!

Como conhecer uma cidade, um país, um lugar? Provavelmente, a pergunta é mera retórica porque não há como responder. Visitam-se países, lugares e cidades, e daí resultam experiências que podem ser expressas em não sei quantos testemunhos, tantas vezes contraditórios. Por alguma razão se recomenda para não revisitar os lugares onde se foi  feliz… .

Movemo-nos, portanto, numa geografia imaginária. Que partilhamos colectivamente através dos quadros electrónicos das chegadas e partidas dos aeroportos e cais de embarque. Iludidos pelos postais turísticos-todos-iguais, pelos roteiros que resumem viagens numa visita a capelinhas de culto, culto gastronómico, artístico ou da moda. Porque serão mais reais os vídeos de férias do que as lenga-lengas que ecoam no País das Maravilhas? 

E será menos explorador aventureiro aquele que desbrava pilhas de títulos comos os escritos por Salgari, Verne, Tolkien ou Bradbury, do que aquele que persegue a rota traçada num pacote de viagens vendida por operadores turísticos? Que dizer, então do fascínio de percorrer linhas imaginárias que ligam cores e gravuras, como só os velhos e bons mapas de papel sabem atrair os curiosos viajantes?

 

 

Ou Corto Maltese é menos real do que Marco Polo e Fernão Mendes Pinto? Mas nenhum dos três teve patrocínios de bancos, sapatilhas ou, sequer, duma qualquer marca de bebida energética, e isso faz diferença.

Já o velho Bilbo Baggins recordava ao sobrinho que a familiar e pacata estrada que passava à porta de sua casa o levaria a todo o lado (inclusivé à montanha do ainda mais velho Smaug…). Mas também ele viajou sem o apoio de nenhuma revista da socialite a custear as dormidas em hotéis de sonho.

E, para concluir, nas palavras duma alegre lagosta para um caracol:

What matters it how far we go?” his scaly friend replied.
“There is another shore, you know, upon the other side.
The further off from England the nearer is to France—
Then turn not pale, beloved snail, but come and join the dance.

Will you, won’t you, will you, won’t you, will you join the dance?
Will you, won’t you, will you, won’t you, won’t you join the dance?

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Comentários a: "imaginário, é mesmo?!" (2)

  1. Pepe, devo forzatamente risponderti in italiano… una traduzione in portoghese mi prenderebbe troppo tempo, ed è già tardi 😉
    L’immaginario, nell’essere umano, è una sorta di parallelismo che ci permette di spostarci su più livelli – dimensioni – ipotetiche Sfere.
    Ma, in effetti, se volessimo essere consci di quanto ci è riportato dalla scienza quantica, non è forse il nostro concetto di “realtà” distaccato dal reale?
    Molti potranno rinnegare, altri risulteranno scettici… io sorrido, pensando alle emozioni che [avevo 12 anni] provai la prima volta che lessi J.J.R. Tokien.
    Ma cos’è veramente il “reale”… o cosa percepiamo noi come “irreale”?
    Sono diversi i punti di vista…
    Se analizziamo gli scritti di Jules Verne, potremmo anche parlare di chiaroveggenza…
    Emilio Salgari, un geniale viaggiatore che passava il suo tempo tra le 4 mura di casa sua a scrivere… ma utilizzando la sua fenomenale fantasia descrittiva!
    E potrei seguitare…
    Un abbraccio, in serenità
    :-)claudine

    http://claudine2007.splinder.com

    • Pode falar italiano à vontade, Claudine, porque entre neo-latinos fica-nos bem entendermo-nos nas respectivas línguas.

      Sim, concordo consigo: a realidade é uma “construção”.

      E não preciso de ir até à física quântica para aí chegar, basta-me pensar a força que uma palavra tem para essa “construção” ser abalada: para Fernando Pessoa a palavra “Lirio” (flores do gen. lilium) nunca poderia significar, para ele, a flor “Lyrio”, pois a mudança ortográfica que o surpreendeu já na idade adulta não correspondia à “realidade” duma flor tão bem expressa na elegância dum “Y”.

      Salgari…pelos meus doze anos já devia ter lido mais de 100 livros dele!

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