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arte contemporânea

Ontem, ouvindo um pintor e professor de pintura, homem conceituado do meio e desconhecido do grande público, soube que foi empurrado abandonou um projecto de criação/dinamização dum espaço artístico privado (exposições permanentes e não só) essencialmente por ter deixado “escapar” a mensagem de que o espaço e a entidade privada eram independentes das instituições políticas ou outras, o que lhe dava maior coerência para o desafio de se fazer algo do género numa pequena cidade a 20 km da grande cidade.

Por causa dessa “inconfidência”, quem mandava na dita entidade privada recebeu o recado da autarquia local de que “assim” não haveria disponibilidade para qualquer tipo de colaboração. Já teria havido um recado, tempos antes, de que determinado artista local de nomeada não seria visto com bons olhos se expusesse lá. Como o dito artista tambem não fazia parte das preferências do projecto-que-acabou-por não-acontecer (ainda que somente por questões estéticas), a coisa não mereceu demasiada importância.

Filosofando sobre o tema, o dito pintor-professor acrescentou mais esta informação, derivada desta (e outras experiências de vida): uma autarquia desconfia sempre das iniciativas privadas na área cultural, principalmente quando estas interpelam a câmara para obter algum tipo de apoio/colaboração/etc. Se a iniciativa privada contacta a câmara para poder usar um equipamento cultural da autarquia, tudo bem, é para isso que foi construído. E se a câmara tiver aprendido a lição daquela autarquia que passou a exigir o conhecimento prévio de todas as obras a serem exibidas antes, para não ser surpreendida depois (como aconteceu certa vez com a exposição de algo alegadamente-chocante-creio-que-um-corpo-meramente-nu), então está tudo perfeito.

Obviamente, diz ele, não se trata de dinheiro. Trata-se de nunca se colocar a câmara em cheque, de não se utilizar a câmara para promover artistas non-gratos, e de ninguém retirar louros com os apoios da câmara sem os dividir generosamente com esta. No fundo, no fundo, é a mera gestão do Poder e da sua perpetuidade longevidade.

Porque dinheiro para construir pavilhões, anfiteatros, multiqualquercoisas e outros pseudo-equipamentos culturais que depois minguam por falta de projectos, isso não faltará nunca (a menos que a crise obrigue…).

Por exemplo, veja-se aquela câmara duma grande cidade a norte que tem espaços para ceder aos artistas numa zona-património-mundial de graça. Mas os espaços estão vazios porque não há ninguém na dita autarquia que faça a gestão desses equipamentos, que os promova, que desafie os artistas (se é que os há) a ocupa-los e fazerem coisas…

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