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Há países com sorte.
 
Países onde o Presidente dá consultas de apoio e aconselhamento para problemas de fôro interno, imagino que familiares, gástricos e psicológicos, não sei: “O Presidente […] recebe todos os dias enviados de Chefes de Estado estrangeiros que (…) lhe pedem apoio e conselhos para resolverem os seus problemas internos”.
 
Sua fama, prestígio e competência leva-o a correr mundo para ensinar a receita de paz e estabilidade política (“apesar das diferenças”…mas este “porém” eu não entendi), como quando se deslocou à “(…) histórica cimeira de Áquila(*) onde o nosso Presidente apontou claramente quais devem ser as medidas a tomar para que o mundo viva em paz e haja estabilidade política, apesar das diferenças”.
 
Agora o que entendi, e não posso concordar, é que haja gente malvada que o ataquem, insultem e atentem: “Porque atacar o Presidente da República é atacar todos os angolanos. Insultá-lo e atentar contra a sua honra, é o mesmo que insultar e desonrar todos os angolanos. O mais alto magistrado da Nação representa-nos a todos, mesmo os que são empregados da Open Society, a organização que mais se destaca na guerra contra a honra da pátria e dos seus dirigentes”. (esta e as anteriores citações in Editorial do Jornal de Angola, assinado por José Ribeiro…mas o link à Open Society é meu).
 
Ora, fiquei a pensar que devia até haver leis contra semelhantes desacatos, mas o bom do citado José esclareceu-me em outro Editorial o seguinte: “O nosso país tem em vigor a Lei da Probidade.(…) Existem profissionais – incluindo no jornalismo – que se arrogam de fazer render deslealdades e desonras, a troco de nada” !! E só posso concordar que fazer render seja o que for a troco de nada é um absurdo lógico e quem disso se arroga não é boa gente.
Até porque a dita proba lei aplica-se a todos, principalmente a alguns em especial: “Ninguém pense que a Lei da Probidade só se aplica aos políticos ou aos titulares dos órgãos de soberania. Nem pensar. Aplica-se a todos, desde o mais humilde funcionário do Estado ao ao representante da sociedade civil e da Igreja. Os que não encontrarem nas suas vidas motivos de que se orgulhem pelo que fizeram pela sociedade e pelo país é melhor começarem a cumprir a lei”.
 
Mas porquê os “profissionais” do jornalismo em destaque, não me ficou claro nem em 2ª leitura. Felizmente, noutro Editorial, agora de Filomeno Manaças percebo que há problemas de probidade a resolver, principalmente no alegado “jornalismo independente” : “garantir o rigor, a objectividade e a transparência da informação, a problemática do respeito pelos direitos de personalidade que a não observância desse pressuposto sempre suscita, a questão da disponibilidade das fontes, a necessidade de uma informação que partilhe com o Estado responsabilidades no capítulo da sua própria formação e da construção da nação, enfim, as análises críticas feitas ao desempenho, no geral, dos diferentes órgãos, entre outros itens, levam-nos à conclusão interessante de que o exercício da profissão de jornalista requer muito mais do que a aprendizagem dos quatro elementos do “lead” da notícia.” Os sublinhados são meus, devo confessar.
 
Ora, mesmo assim precisei de me socorrer dum quarto Editorial, mais um do estimável José, para perceber o alcance da partilha de responsabilidades entre a Imprensa e o Estado: “A liberdade de imprensa está submersa em muitos equívocos e assim desvalorizada e ignorada exactamente por aqueles que mais precisam dela: os jornalistas. A continuação desta fragilidade atira-nos para uma situação em que os meios de informação já nem sequer são poderes ilegítimos, porque não sufragados pelo voto popular, mas simplesmente considerados centrais que corroem a sociedade”. Pois, exactamente.
 
Não só os meios de informação são um “poder ilegítimo” como são “centrais que corroem a sociedade“. Exemplos?  “Um retrocesso da qualidade editorial e a subalternização do rigor informativo a discursos que não os dos jornalismo, quando não a destruição pura e simples da mensagem jornalística” (in Editorial acima citado), o que, claramente, não se passa com a prosa de qualidade e de rigor informativo, com mensagem jornalística, do José e do Filomeno.
 
Bem, e se ponho toda esta leitura em dia, tem a ver com a minha infrutífera busca de notícias sobre os acontecimentos em Moçambique no Jornal de Angola. Pouca sorte não encontrar nada hoje, nem ontem. Lendo os citados editoriais, fico mais tranquilo: provavelmente a publicação das notícias seria interpretada como um insulto ao presidente moçambicano (logo a todos os moçambicanos) ou pudesse algum profissional-incluindo jornalistas- estabelecer comparações com a paz e a estabilidade política de outros países (apesar das diferenças)…
 
Como me parece ser o caso desta análise tendenciosa e arrogante: “(…) um difícil dilema: ou não cede às reclamações e aumenta exponencialmente a repressão policial, arriscando o apoio financeiro internacional de que depende, ou se torna mais “tradicionalmente” africano, considerador e dialogante, fragilizando com isso as suas práticas mais autoritárias e os actuais padrões de concentração de riqueza.” (Paulo Granjo in Público)
 
(*) Claro que meios de comunicação sem probidade corroeram esta “histórica” cimeira como mais um acto falhado ao reunir 8 potências mundiais (como a Itália e o Canadá) sem estar a China presente…Coisas do “jornalismo independente”.
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