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Quando até a Igreja Católica se sente motivada a falar da eventual existência de vida inteligente extraterrestre, pergunto-me o que é que a investigação cientifica terá avançando a este respeito nas últimas décadas.

 Nos anos setenta havia um aceso debate em Portugal (com o Partido Comunista a arrumar o assunto no catálogo dos temas que alienavam as atenções dos assuntos urgentes e revolucionários), anos depois instalaram-se as antenas apontadas para o espaço na esperança de captar mensagens vindas de muito, muito longe (argumento central do livro de ficção “Contacto” de Carl Sagan).

E todos os dias aparecem histórias mais ou menos fantásticas, fotos mais ou menos toscas, testemunhos inverosímeis ou meramente equivocados, enfim, nada de substancial e interessante.

 

Do que li de dois livros de psicólogos que abordam o tema na perspectiva dos seus pacientes “abduzidos” (raptados) por extraterrestres, nomeadamente o “Sequestro” de John Mack e os “Transformadores da Consciência” de Gilda Moura, creio que os autores se deixam apanhar no labirinto sem saída do “mental”.

E, nessa área, o estereotipo é a regra e interpreta-lo como indício dum fenómeno que se repete em diferentes circunstâncias, com indivíduos distintos, etc, não é suficiente para afirmar que algo se passa fora da mente. Fica-me mais a ideia apontada por Jung também a este respeito sobre a “projeção” de algo interior do que propriamente “encontros imediatos do 3º grau” (não vou explicar o que isto quer dizer, mas receio que a expressão já perdeu a popularidade de há vinte, trinta anos atrás).

Hoje leio que o governo inglês terminou com a hotline dedicada a OVNI’s por não verificar qualquer interesse para a defesa nacional, mas também por se sentir incapaz de identificar a natureza desses “avistamentos”. Cortes orçamentais por falta de verbas, certamente. Mas quando leio, também, que em 12000 relatos ao longo de 50 anos de actividade, 5% continuam por explicar (e são produzidos por radares, pilotos de avião ou polícias), a curiosidade desperta. Mesmo que seja desviada para a vertente da origem terrestre e humana dos eventuais artefactos.

Em Portugal, que sabemos e que se faz a este respeito? Tirando o trabalho pioneiro que o Joaquim Fernandes vem realizando desde os longínquos anos 70, e recentemente actualizado com a publicação da antologia “De Outros Mundos. Portugueses e Extraterrestres no século XX” (ed.Planeta Editora), não sei se na sequência do simpósio “A Humanidade e o Cosmos” (em que também está envolvido), não conheço nada de interessante no cruzamento da ciência com a especulação.

O que é frustrante em muitas destas abordagens é centrarem-se na área da psicologia, história e cultura, sem haver um desenvolvimento em áreas como a física, a quimica ou a biologia. Talvez por falta de dados: nem artefactos aliníegenas, nem células de origem extraterrestre, fica então o quê para estudar? Aah, sim…! Os tais 5% acima referidos: ainda são 600 relatos ao longo de 50 anos (e só no Reino Unido) que mereciam maior atenção.

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