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o pós-11 de setembro

Em 8 penosos anos que balanço se pode fazer de tudo quanto se passou, do ponto de vista norte-americano?

A invasão do Afeganistão assemelha-se a um novo Viet-Nam, a invasão do Iraque redundou no reforço da influência iraniana, o aliado paquistanês é cada ano mais instável, o islamismo político mais retrógado reforçou a sua influência, os recursos militares americanos chegaram ao limite e os económicos já se esgotaram faz tempo.

Israel/Palestina e Líbano permanecem os mesmos focos de violência de antes.

Tudo isto à custa duma esmagadora campanha de mentiras deliberadas, desinformação permanente, intolerância contra a crítica, por parte da Administração Bush. Que teve como consequência a perversão dos maiores valores culturais americanos como o direito à presunção de inocência, à dum julgamento em tribunal, à da defesa. Com agravantes impensáveis antes ,como a detenção por tempo ilimitado sem qualquer tipo de restrições e o uso indescriminado da tortura.

Na Europa, as opiniões públicas foram intoxicadas pela campanha em versões locais em que os governos foram complacentes ou cúmplices.

Com a mudança que Obama pretende personalizar gravemente restringida pela dimensão da crise económica e pelos constrangimentos do impasse afegão-iraquiano, a abertura ao diálogo com os arqui-inimigos tanto pode levar ao exarcebar de conflitos internos no Irão, ao jogo (aparentemente) irracional da liderança norte-coreana, à reabilitação de párias sem escrúpulos como já Khadafy tivera oportunidade, seguindo-se-lhe Bashir no Sudão. Ou seja, uma América debilitada  terá de aceitar os compromissos possíveis (deixar cair os temas caros da democracia-direitos humanos-liberdade) em prol da melhoria das relações políticas com os regimes menos recomendáveis. O que, em si, nada teria de novo: durante a Guerra Fria foi esta a norma para com os aliados asiáticos, africanos e sul-americanos…e também ibéricos, é verdade!

Parece-me, pois, esta efeméride ter o valor de nos fazer recordar como tudo isto foi possível e com que resultados. Pessoalmente, foi um tempo em que percebi bem o sentido da frase que diz que toda a gente sabe como começa uma guerra, mas não sabe como acaba (repare-se como a IIª guerra mundial terminou muito mais tarde no centro-leste europeu, por exemplo). Também ajudou a abater a minha própria arrogância de julgar a invasão do Iraque (para libertar o Kuwait) na década de 80, no tempo do Bush mais velho: hoje compreendo os limites que as forças invasoras se auto-impuseram. E pude apreciar ao vivo e em português à campanha para descredibilizar uma voz discordante, bem fundada e intencionada, com a autoridade para falar destes assuntos. Refiro-me a Freitas do Amaral.

E para não me alongar mais, nem falo da quantidade de gente morta por causa disto tudo.

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