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AS LINGUAS NON SE MOLESTAN

Sempre tive inveja dos filhos de pais com expressão linguística diferente pela óbvia vantagem de aprendizagem sem esforço. O facto de ser falante do português já me permite usufruir todos os matizes e ambiguidades duma língua que flui do galego (na sua vertente galaico-portuguesa mais “arcaica”, ou seja Douro-Minho e Galiza) ao brasileiro (talvez a sua vertente mais “inovadora)”.

Das vantagens do bilinguismo também retenho a óbvia facilidade para se educar o ouvido e a língua (aqui no sentido anatómico) ao se usufruir de filmes estrangeiros com versão sonora original. Veja-se Ouça-se os nossos manos ibéricos como são trenguinhos para uma conversa a duas línguas e percebe-se que a dobragem dos filmes em castelhano pode ser uma indústria rentável, mas com um preço cultural.

Ora, há muita gente que está convencida que um país deve privilegiar uma língua única e todas as outras (que porventura hajam) são um mal menor a desaparecer com a instrução pública e políticas sociais de desenvolvimento. Na França havia, na primeira metade do século passado, cartazes nas escolas públicas da Bretanha a avisar que era proíbido cuspir para o chão e falar bretão. Assim, tal e qual. E se estivessem em vigor, ainda hoje, poderiam acrescentar “e estar contaminado com a gripe dos porcos”.

As autonomias espanholas recuperaram o direito à língua nacional, sem que isso prejudique a sensacional globalização do castelhano. Provavelmente, para os castelhanos monofalantes deve ser trabalhoso e algo penalizador ter de aprender catalão, basco ou galego para poderem ter um melhor desempenho profissional e social, mas depois de ultrapassada a dificuldade inicial não tenho qualquer dúvida de que os benefícios ultrapassam largamente o esforço. Não é o que todos fazemos ao aprender inglês, bem mais complicado? Ok, o basco é mais complicado.

Veja-se este delicioso episódio de comunicação: Hoxe, a miña pequecha de ano e medio deu toda unha lección de sociolingüística no bar ao que a súa nai e irmán e eu acudimos con moita frecuencia. (in A canción do náufrago)

 

il est defendu

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Comentários a: "AS LINGUAS NON SE MOLESTAN" (2)

  1. Grazas pola ligazón. Engaiola saber que hai moitos pensamentos coincidentes.

  2. É essa a magia da blogosfera.

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