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Parece que o fenómeno das transferências dos jogadores de futebol se estende ao de figuras políticas (e outras) para diferentes partidos: espectáculo, ruído, troca de acusações, autojustificações, num cortejo de humilhados e ofendidos com que se esgota o debate político.

De nada valerá, ou muito pouco,  passar a vida a criticar políticas, modos de fazer política, etc, se sempre que se entra em período eleitoral cai-se na partidarite aguda, com os mesmos sintomas dum membro de claque de futebol. Ou cair na tentação derrotista, de vencido da vida, lamentando que “são todos iguais” e o país não tem salvação. Leiam-se os jornais do fim-de-semana, os blogues empenhados políticamente, ouçam-se as conversas de rua, tudo ao estilo “bastante mais do mesmo”.

Arrisco esta comparação: muitos, muitos anos atrás, quando os grandes centros comerciais começaram a surgir na paisagem e no quotidiano, a polémica colocava-se entre defensores da concentração das lojas e serviços, com horários, comodidades e preços mais favoráveis, etc e tal, versus os detractores que receavam pelo comércio tradicional e o impacto que isso viria a provocar na malha urbana. Ambos estavam certos, mas qual é o saldo ao fim de tanto tempo? Este balanço receio não ter sido feito e, só por si, implicaria muitas outras polémicas.

O certo é que o chamado “comércio tradicional” sempre pecou por defeito (grandes defeitos, por vezes!). E as camaras municipais das maiores cidades andam distraídas das suas responsabilidades no ordenamento do território, sentindo-se igualmente predestinadas a grandes obras e magnos problemas (como os governos centrais), quando a fixação da população urbana está directamente relacionada (também) com a qualidade de vida dos residentes. O que inclui a oferta de bens e serviços “de próximidade”, sem necessidade de pegar no carro, e tendo (imagine-se) até o gosto de sair à rua, cruzar com vizinhos e despachar meia-dúzia de assuntos do dia-a-dia. Se a isso se acrescentar algumas salas de cinema, teatro, alguns espaços de convivência social, cultural e  de criação artística, isso parece-me excelente.

Ou seja, em vez de projectos de grandes avenidas novas, de grandes pavilhões multi-usos, de grandes loteamentos para edificação, uma política urbana que recupere um certo sentido de bairro, de pertença e de responsabilidade pelo local de residência, facilitando os afazeres quotidianos e proporcionando pequenos prazeres (como a sombra duma árvore ou uma rua limpa e animada).

E regressando ao tema do parágrafo inicial: mais projectos “pequenos”, geradores de emprego e “cash-flows” (será que estou a falar bem?), de impacto local, em vez de mais projectos megalómanos, não será um assunto suficientemente interessante para debater?

Num ano em que se conjugam as eleições para o parlamento e para as autarquias, que bom seria sermos capazes de fazer o duplo exercício de pensar globalmente, agir localmente.

Todd Davidson

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