novidades e outras coisas

Archive for Janeiro, 2009

Tem coisas que não são de ruindade em si, mas danam

O senhor me crê? E foi então que eu acertei com a verdade fiel: que aquela raiva estava em mim, produzida, era minha sem outro dono, coisa solta e cega.

Hoje, que enfim eu medito mais nessa agenciação encoberta da vida, fico me indagando: será que é a mesma coisa com a bebedice de amor? (in Grande Sertão: Veredas)

“Quando Darwin desobrigou Deus das suas tarefas…”

 O socialismo está para a sociedade liberal com o criacionismo está para o evolucionismo. A dificuldade que muitos encontram em conceber o mundo sem um Deus criador e interventivo é a mesma que outros encontram para imaginar uma sociedade livre do peso excessivo do estado. O princípio de que a ordem geral pode ser o resultado espontâneo de acções individuais é difícil de engolir. (in A destreza das dúvidas)

europorto

aviãozinho

A vantagem de não ser católico ou  muçulmano, é poder passar por cima de polémicas avulsas e voar até ao essencial:

Con un crecimiento del 13,74%, el Sá Carneiro cerró el mes de diciembre embarcando o recibiendo 4.534.829 pasajeros y creciendo en 547.829 clientes, con los que no solo superó la barrera de los cuatro millones de usuarios, sino que también rebasó con ellos la suma del tráfico consignado por los tres aeropuertos gallegos por primera vez en esta década. Oporto movió 351.769 personas más que Lavacolla, Peinador y Alvedro juntos, cuando estos habían cerrado el 2007 con 735.935 de ventaja sobre la segunda infraestructura aérea lusa. (in La Voz de Galicia)

Curiosamente (ou não) há quem entenda que el Sá Carneiro até pode dar prejuízo. Depende, dirá outro:  A ANA pratica taxas altas em Lisboa, para rentabilizar fortemente este aeroporto. Para não perder tráfego neste aeroporto, aplica as mesmas taxas ao aeroporto mais próximo (ASC), garantindo assim que quem quiser voar para Portugal (ou para fora) paga uma elevada maquia. Sendo o ASC um aeroporto menos atractivo em termos de localização, acaba por perder passageiros. Mais, tendo apenas uma taxa de ocupação de 30%* face ao seu máximo potencial*, deveria praticar um preço mais reduzido, por forma a optimizar a ocupação. (in Norteamos)

Com a mesma convição com que se planeou a Ota Alcochete, baralhando números na Portela, construiu-se um aeroporto em Beja:

 O aeroporto de Beja prevê atingir, entre partidas e chegadas, uma média de 178 mil passageiros em 2009, que poderão aumentar até 1,8 milhões em 2020, segundo as previsões da empresa responsável pelo projecto. (in Publico de 7/2/2007)

Porém, algo de extraordinário se terá passado porque no final de 2008 se dizia: este aeroporto[Beja, claro] vocacionado para os voos «low cost» continua em construção, sem acessibilidades e sem qualquer tipo de acordo para voos comerciais ou voos de carga (in TVI). Falta de planeamento? Falta de estudos? Não, que ideia! Se ao menos quem manda se dignasse a explicar o problema da falta das acessibilidades e como se pensa “contornar” o efeito concorrencial do aeroporto de Badajoz, certamente todos iriamos entender.

Entretanto, no ano passado deixou-se perder a oportunidade de ter uma base da Ryanair no Porto, que acabou por ir para Barcelona. Isto apesar do potencial extraordinário de deslocação de milhões de passageiros de toda a Europa para a região norte. A acrescentar ao que já acontece. E há vontade de ir ainda mais longe, se houver vontade política. O problema é que existem outras questões, nem políticas, nem económicas. Se calhar, não sei.

Não podemos admitir que o Aeroporto não seja considerado estratégico para a região e que não seja autonomizado. Não podemos aceitar que o poder central diga que o Aeroporto não tem grande relevo para a região, mas que seja um elemento que vá ajudar à realização dos aeroportos em Portugal. Isto é que manifestamente não”, acrescentou o Presidente da JMP. (in amporto)

Mas isto não é só falar mal do governo. É que me faz confusão porque andam as oposições parlamentares tão acirradas à volta de fait-divers  e não pegam nestas matérias que tão bem reflectem um certo modo de gerir a coisa pública.

Afinal, senão rentabilizamos o que temos e são valores seguros, que outras estratégias nos propõe para sairmos da crise?

“Apagar é mais importante que escrever”

(…) a pior consequência de apagar demais é não ter nada escrito. Normalmente, é menos grave que escrever asneira. (in Que Treta!)

“I walked tall and bowed to no man”

(…) You [Mahinda Rajapakse, presidente do Sri Lanka] will never be allowed to forget that my death took place under your watch. As anguished as I know you will be, I also know that you will have no choice but to protect my killers: you will see to it that the guilty one is never convicted. You have no choice. I feel sorry for you (Lasantha Wickrematunga , in editorial do The Sunday Leader, três dias depois do seu assassinato)

I mourn Lasantha Wickrematunge. You should too. Until justice is done and someone starts giving a damn about Sri Lanka, a nasty stain remains on the conscience of the world (Natalie Samarasinghe)

luar de janeiro nevado

luar-de-janeiro-na-nevepq

Nas noites de frio intenso, se a tormenta anda pelo ar e a Lua brilha mesmo assim, a que buscará homem, ou mulher, transviado por estes ermos, sem tecto que o cubra, sem luz que o guie?

Sobre a neve, sob o luar, através do ar gelado, imerso no silêncio cristalino, banhado por sentimentos luminosos e arrastado pelo calor do pensamento, reconfortado pela velha sabedoria infantil de que a Lua nos acompanha para todo o lado…para quê um guia quando a própria Lua em mim confia?

“pour éviter une crise écologique majeure “

La biodiversité, cette banque d’espèces universelle doublée d’une pharmacie sans pareille, doit entrer de plain-pied dans les calculs de la croissance et du bien-être (Eric Fottorino)

frozen-cemetery

in memoriam

The barbaric … attack on our (Arab) people in Gaza is the natural result of the absence of Iraq, its national leadership and its leader … the martyr Saddam Hussein (Ibrahim al-Douri)

hussein hour

2009 vai ser bom

the doors of perception

O tema da “crise” é já tão gasto, neste nosso singelo país, que a visão do preço da gasolina a baixar nos postos de abastecimento acaba por ser tónico suficiente. É que não dá para levar muito a sério  a crise anunciada para 2009 e seguintes.

Também não parece muito importante uma crise mundial provocada pelo modo como agiu (ou não agiu) o equivalente americano ao nosso Banco de Portugal ( que alegadamente garante um sistema financeiro e monetário “seguro, flexível e estável”), pois também o nosso BP não soube evitar problemas semelhantes, e tudo se vai resolvendo tranquilamente. Nem comove ninguém que esquemas financeiros tipo “D.Branca” fossem objecto de culto em Wall St. e agora estejam a dar os resultados que em Portugal bem se conhecem. Por cá, as preocupações continuam a ser as de sempre e o primeiro-ministro conseguiu baixar a taxa de juro de referência no crédito da habitação.

É preciso gastar menos? Claro que é. É preciso poupar? Até dá jeito. Mas, para começar, é preciso ganhar mais. De Medina Carreira a Jerónimo de Sousa não faltam soluções, só há que escolher.

E repare-se: o ano de 2008 foi atípico, como confirma a tabela do campeonato de futebol português na última semana de Dezembro, mas logo na primeira semana de Janeiro a normalidade está retomada. Se o PR crítica a AR e dá a entender falta de solidariedade institucional por parte do PM, seja por causa do Estatuto Regional, seja pelo que for, este é ano de eleições (e logo três) para que tudo seja apreciado, discutido e decidido por quem manda.

Quando a crise é global, os mais crescidos hão-de resolver os problemas e sobrarão rebuçados para os pequenitos. E nós, pequenitos e habituados a viver sempre em crise (desde Alcaçer-Quibir, para não ir mais longe), até vamos folgando com as consequências da crise mundial: baixa das taxas de juro, descida de preços do combustível, descida da inflação. E casa novas não faltarão por mais 40 anos.

Depois de milagres como o Alqueva e a Expo-98, após o surto de desenvolvimento provocado pela construção dos estádios do Euro-2004, o inevitável investimento na Ota em Alcochete, o imparável progresso garantido pelas linhas TGV, a revolução no ensino proporcionada pela avaliação dos prof’s e pelo Magalhães, a projeção mundial de Portugal graças ao ouro da bota de CR, como não acreditar que o futuro será sempre um lugar melhor?

Se até mesmo os mais pessimistas concordam que 2009 poderá ser bem melhor do que 2010, porque nos afligir com questões marginais como a quebra do crescimento económico na China?

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