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um murro no estômago

Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década

Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar

A “estabilidade” actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes.

Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis.

Tudo ainda não aconteceu“, avisava um “espírito” antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005. (Pedro Rosa Mendes in Publico)

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