novidades e outras coisas

a esmola dum trabalho

Amiga minha, desempregada há anos, jé me havia contado o seguinte fenómeno: volta e meia recebe um postal do centro de emprego a saber se continua desempregada, ela devolve a carta confirmando a situação; mesmo assim, três vezes por ano, pelo menos, descobre que o centro de emprego dá baixa da sua condição de desempregada. Motivo: não receberam o referido postal. Culpa dos CTT, certamente digo-lhe eu. Que não, responde-me, a “perda” duns tantos postais como o dela ajudam as estatísticas a devolver a confiança aos portugueses. Isso já é maldade, replico. Pois é o que penso sempre que ouço no telejornal mais uma descida do número de desempregados, insiste ela.

Acontece que, no mês passado e pela primeira vez, chamaram-na à Segurança Social (ela recebe o Rendimento Mínimo) para trabalhar 6 meses (substituição de alguém por licença de parto e maternidade, creio) numa instituição de solidariedade social, ou coisa que o valha. O ordenado eram 400 euros pagos pela Segurança Social, se não aceitasse corria o risco de perder o Rendimento Mínimo (creio que 150 euros). A minha amiga é uma mulher d’armas, porque haveria de recusar trabalho se é mesmo isso que tenta arranjar há vários anos? Claro que aceitou.

E trabalhou todo o mês com muito gosto, sentindo-se reconhecida e valorizada pelas pessoas com quem trabalha. Porém, houve um senão.

No final do mês apareceu alguém enviado pelo Centro de Emprego para ocupar a vaga que ela já preenchera. A directora da instituição informou essa pessoa de que houvera engano e entrou em contacto com a Segurança Social e o Centro de Emprego; do que foi falado a minha amiga não sabe mas a directora logo foi a avisando de que se calhar não ia receber aquele mês.

Passado uns dias, a minha amiga foi chamada ao Centro de Emprego para esclarecer o que se passava: é que não estava registada como desempregada desde…desde a última vez que lhe enviaram um postal para casa (e que ela havia devolvido pelo correio como habitualmente). A minha amiga lá explicou que não só estava desempregada, como o fenómeno postal era recorrente e, na verdade, fora por iniciativa da Segurança Social que arranjou o trabalho.

Que nem dissesse uma coisa dessas, foi logo avisada! A receber o Rendimento Mínimo e empregada?! A minha amiga lá foi explicando que disso não entendia nada: fora chamada, aceitou o trabalho, não recebeu o Rendimento Mínimo correspondente àquele mês. Nem o prometido ordenado, já agora.

Do Centro de Emprego lhe disseram que o Rendimento Mínimo do mês de Junho ia receber, mas não o ordenado. Que o trabalho sim, iria “começar” oficialmente em Julho. “E o ordenado a que tenho direito pelo mês todo de Junho que trabalhei das nove da manhã às cinco e meia da tarde?”  Impossível, disseram-lhe, que nem pensasse nisso. Ela ainda apelou para falar com alguém superiormente, deixou no ar a “ameaça” de protestar pelo roubo do salário dum mês de trabalho, pela desorganização de certos organismos públicos… mas foi aconselhada a deixar-se estar caladinha se é que tem esperança de um dia, depois de terminados os seis meses (+1) de trabalho, voltar a ser chamada para idêntica esmola.

OK, “esmola” foi palavra da minha invenção.

Anúncios

Comentários a: "a esmola dum trabalho" (1)

  1. É assim que se mata a esperança, com esmolas dessas!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: