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esperança, talvez…

   Eu também ”non me fiaría moito do orgullo nacional-patriótico”, Miguez. Mas,mesmo sem ilusões sobre o que a independência possa trazer ao Kosovo, compreendo bem a expectativa dum povo há demasiado tempo “amarrado” a uma comunidade que o estranha, que o hostiliza e que desencadeou conflitos terríveis num passado muito recente.
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O Kosovo, como todos os Balcãs, viveu a História como uma sucessão de invasões, limpezas étnicas mal sucedidas, sistemas de segregação étnica e religiosa, o que torna a região um puzzle demasiado complexo para a solução política do Estado-Nação que, melhor ou pior, se tentou afirmar após a queda dos grandes impérios.

Apesar dos horrores sem paralelo que caracterizam o século XX, este também é o século em que surgiram as sociedades mais democráticas, livres e prósperas de sempre. E o que elas têm em comum é a afirmação plena e assumida dos direitos do Indivíduo frente a qualquer sujeição de género, crença, origem ou outra que não seja a Lei comum, em sociedade democraticamente instituída, onde são garantidas as liberdades de consciência, expressão e associação, separando a esfera individual, privada, da colectiva e pública.  

Um exercício sempre problemático e polémico, mas cuja natureza conflituosa é, reconhecidamente, o sal e pimenta dessas sociedades.

Por não seguir esta “cartilha”, é que a esmagadora maioria das lutas nacionalistas dos séculos XIX e XX redundaram em sociedades autoritárias, pobres e tendencialmente violentas. Infelizmente, o sec.XXI não oferece razões para acreditar numa mudança.

E, contudo, uma das “coisas” boas do século passado pode, ainda, influenciar decisivamente o surto nacionalista nos Balcãs: a Comunidade Europeia. Se o horizonte da comunidade de cidadãos europeus equilibrar a natural identificação nacional, arrastando as novas nações, as proto-nações e os resíduos de nações espalhados “à toa” pelos grandes impérios, para uma dinâmica de cooperação e progresso, as gerações pós-Guerra (dos Balcãs) poderão aceitar suas diferenças como uma característica tipicamente europeia.

Aceito que se questione a oportunidade da declaração de independência e a sua viabilidade como nação. Entendo a especulação sobre os conflitos que daí resultem.

Mas também creio não fazer sentido um país existir formalmente integrado num outro país que lhe é hostil, quando, na realidade, é regido e protegido pela Comunidade Internacional. Se fosse kosovar, não duvido qual fosse a minha opção, por isso julguei reconhecer nos rostos que vi pela televisão uma aspiração legítima à autodeterminação.

O desafio começa agora: o de garantir uma sociedade democrática, livre e próspera, inclusive àqueles que não se identificam com o novo país, mesmo aos que se opõe à independência, desde que o façam de modo pacífico.  

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Comentários a: "esperança, talvez…" (2)

  1. […] unknown wrote an interesting post today onHere’s a quick excerpt   Eu também ”non me fiaría moito do orgullo nacional-patriótico”, Miguez. Mas,mesmo sem ilusões sobre o que a independência possa trazer ao Kosovo, compreendo bem a expectativa dum povo há demasiado tempo “amarrado” a uma comunidade que o estranha, que o hostiliza e que desencadeou conflitos terríveis num passado muito recente. […]

  2. Supoño que, si eu fose kosovar, tamén estaría ledo.
    Penso que sí hai algunha posibilidade de que eses escenarios negativo herdados das convulsións dos s. XIX e XX muden, sexa para ben ou para mal: Como voçe ben dice, a Unión Europea, esa aposta polo que nos une fronte ó que nos separa, pode ser un estupendo marco para a normalidade política nas rexións máis convulsas do contienente. O mesmo, pero máis grande, é a globalización económica e cultural: de seguir o curso homoxeneizador das sociedades ¿coida vostede que un individuo, criado dentro de tres ou catro xeracións, vai percibir algunha diferencia entre él mesmo e o bisneto do inimigo irreconciliable do seu bisavó?
    Tamén hai que admitir que non todo iso e bo, mais algo favorable tiañ que traer.
    Unha aperta.

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