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o medo

(…)em nenhum outro sítio, se associou ao nome da cidade, ou o nome de um clube, a um mesmo grupo de personagens, a um mesmo milieu, a melhor palavra para designar o ambiente miasmático em que tudo se passa. (in Abrupto)

Este artigo do JPP levou-me a recordar o periodo após a eleição surpresa de Rui Rio para a presidência da câmara: cedo rebentaram as polémicas e declarações incendiárias entre o Futebol Clube do Porto e a recém-eleita equipa camarária, que continuam aí apesar dos anos e do seu relativo apagamento.

Sem que me interessem para este assunto as polémicas, as pessoas e entidades, ou o contexto político-camarário, quero salientar o ambiente de medo que se fez instalar na altura. Era palpável o ambiente agressivo contra quem defendesse as teses ou declarações de Rui Rio, o que se materializou numa inédita manifestação-desfile frente à Câmara Municipal onde a presidente da Associação dos Comerciantes do Porto, Laura Rodrigues (que apoiava as posições de Rio), foi insultada da pior maneira, assim como Rui Rio. Nessa manifestação, que assisti pelas imagens dos noticiários, estavam presentes conhecidas figuras do “meio” portuense, desde a área política à cultural, mas nunca ouvi nenhum deles protestar contra o tom e o verbo usado ao longo da manif’.

Eu próprio, que nada tinha a ver com o assunto, mas escutava com atenção os argumentos de Rio sobre os alegados favorecimentos do anterior executivo camarário ao plano de urbanização à volta do Estádio do Dragão, senti que seria arriscado manifestar sequer uma posição de dúvida em local público. Estava a exagerar? Quem dera que estivesse, mas só me lembro de ter sentido assim por alturas do PREC fosse para defender o direito à existência do CDS (que ia sendo proibido de exercer actividade do meu liceu em Assembleia Geral de Alunos), fosse para tomar posições de “esquerda” no Verão Quente.

A diferença entre estes dois períodos está nos mais de trinta anos de intervalo, trinta anos a mais para mim e para o país. Mas fiquei com a sensação nítida de que neste pacata terra de brandos costumes facilmente se podem criar milícias e episódios cruentos por instigação de quem não dá a cara, movimentando gente de todas as idades e situação social precária (o que em linguagem marxista se chama o lumpen), com a cumplicidade ou inacção vergonhosa  de ilustres figuras públicas ou das próprias autoridades. 

Como o país não está de pantanas, esta erupção de violência organizada ficou-se por pouco, enveredando o fenómeno para outras áreas, menos públicas e “políticas”. Aparentemente, aquelas que se têm falado nos últimos tempos e que JPP faz referência com frontalidade, referindo factos que merecem reflexão.
 

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