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 A derrota de Chavez pode ter sido por pequena margem, mas aconteceu graças às divisões no próprio bloco que o sustenta.

 Pode ser um bom sinal: em vez dum país dividido em duas partes antagonistas, um país onde haja vitalidade para a dinâmica de partidos, tendências e movimentos de opinião que podem surpreender lideranças autoconvencidas e influenciar resultados eleitorais.

Porém, já se tem visto como estes passos em falso por parte de caudilhos ou regimes tendencialmente autoritários podem funcionar como um catalisador para os mesmos, focando sua atenção contra os inimigos internos, a começar pelos “infiltrados” nas próprias fileiras. Veremos se o discurso do caudilho dará início a uma “autocrítica” da tolerância para com as tendências de opinião dentro do bloco chavista que ponham em causa as “reformas” revolucionárias.

Veja-se esta pérola do pensamento dum chavista, publicada num jornal que tem por principio editorial o “compromisso para com a Venezuela”:

“(…) esta vez la campaña contra Chávez estuvo abiertamente en manos de la extrema derecha. 

Estos cambios no son casuales. Obedecen a un esquema diseñado por especialistas de desestabilización y conflictos políticos pertenecientes a un departamento del Gobierno norteamericano. Se han aplicado en otros países. La Revolución naranja en Ucrania salió de sus laboratorios. También los intentos en Bielorrusia. La utilización de estudiantes se ensayó en China, en 1989, a fin de establecer un Gobierno pro occidental. Culminaron en los llamados sucesos de la plaza de Tiananmen. Detrás de estos especialistas hay no sólo una multitud de funcionarios expertos en comunicaciones, partidos, organizaciones juveniles, rama femenina, sino también un abundante presupuesto de dólares.

Este é o tipo de pensamento que coloca “o Povo” acima de tudo, mas quando fala dos povos em concreto não só não lhes atribui a sabedoria, discernimento e capacidade de autogoverno sem caudilhos nem organizações dirigentes, como faz apologia de regimes corruptos e autoritários, da repressão violenta contra a manifestação de opiniões.

Para quem vê assim o mundo, impossível tolerar camaradas que sejam “objectivamente” utilizados por um qualquer departamento do governo norte-americano.

E a receita para o sucesso dum caudilho já foi dada, magistralmente, pelo sempre surpreendente Putin, que não tem a personalidade extrovertida, enérgica e histriónica de Chavez, bem pelo contrário: de primeiro-ministro a presidente, provavelmente de presidente a primeiro-ministro, cada vez mais poderoso, cada vez mais providencial, uma verdadeira “força tranquila”… sem oposição, sem alternativa, sem controle. Pela Pátria, pela Religião e pelos desfavorecidos.

Visitando o site da Presidência da República da Rússia, verifica-se como publicita, inclusivamente, discursos dirigidos ao seu partido político.

E, em discurso dirigido ao corpo diplomático, em vez das provocações ao gosto de Chavez, exprime sua convição pessoal “de que não há um só problema regional no mundo de hoje que possa ser resolvido pela força”, citando o Kosovo, o Irão e o Sudão expressamente (…a Chechénia não é deste mundo, a bem dizer).

Assumindo tudo fazer para afastar a Rússia da agitação interna e para a manter na via do desenvolvimento, vai avisando que não tolerará nenhuma “interferência externa” nesse processo.

Ou seja, com outra pose e estratégia, encosta qualquer oposição e crítica ao equivalente do famigerado departamento do governo norte-americano que o brilhante colunista venezuelano acima citado se refere.

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