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O João Tunes em post recente reflecte sobre as comemorações do PCP a propósito do 90º aniversário da implantação do regime comunista na Rússia, fazendo uma constatação deprimente: foram expressão pungente de como o garrote da fixação de velhas mentiras propagandísticas, quase infantis na forma como se dirige a um público hoje maioritariamente adulto no conhecimento do embuste repetido, funciona sobre a inteligência política de militantes e não militantes, tentando reduzi-los a uma massa amorfa de crentes religiosos incapacitados de recorrer ao conhecimento e à razão.

Assim é, de facto. E tanto mais perturbante para quem conheça militantes deste partido nos vários cenários da vida social, a quem não parece servir a “carapuça”. Porém, desde a negação absoluta das realidades ao contorcionismo mais doloroso para a inteligência alheia e a própria, passando por um agnosticismo envergonhado para quem o Bem é uma categoria eterna, com ou sem Pecado Original da Revolução, o que fica dum pensamento marxista que se pretende crítico, racional e articulado com a realidade e a História? Alguém ainda se lembra do “socialismo científico” lá para as bandas do “Avante”?

Se a isso juntarmos o apoio explícito à teocracia iraniana e ao caudilhismo de Chavez, como fica o materialismo histórico? Dos apoios aos grupos armados das florestas colombianas que raptam cidadãos para resgate financeiro ou troca de presos, aos “resistentes” iraquianos sem programa político, sem base social de apoio que não seja a religião ou a etnia, aos “movimentos políticos” islamistas na Palestina ou no Libano que têm como prioridade a instalação de regimes teocráticos, o que fica da luta de classes, do proletariado ou do partido leninista?

Da simpatia pela Rússia chauvista, anti-democrática e militarista de Putin, pela China autoritária, anti-democrática e capitalista do Partido Comunista Chinês ou por uma Sérvia agressiva e isolada, resta depois o quê para dizer ainda sobre as contradições da sociedade capitalista?

Para não lembrar o “socialismo” norte-coreano, de que pouco falam por vergonha, certamente, mas que não só não merece a mais leve crítica, como pertence ao grupo dos países-modelo.

Resulta isto num corpo rígido manietado nos seus tabus históricos e ideológicos e incapacitando-o para se poder transformar numa força política moderna, dinâmica e com capacidade de resposta a sociedades em aceleradas mutações (João Tunes). Certamente, mas para um partido que se vangloria de existir depois de assistir às tentativas de transformação de outros partidos-irmãos, e que resultaram no seu desaparecimento, a alternativa não é aliciante.

Sem ironia, nem sarcasmo, reforço a ideia do João com a comparação daquelas seitas que aguardam o Fim-do-Mundo que dará origem ao Reino dos Justos: o importante é manterem-se puros (e duros), aguentarem estes tempos de descrença e profanação, até à próxima reencarnação da Revolução.

Ou construirem uma Arca que os isole do mundo, metendo lá dentro toda a bicharada digna de existir pelo seu anti-americanismo e/ou pela devoção formal aos velhos ritos das grandes celebrações da eucaristia soviética.

“Congelados da História”, João?! A descongelar no micro-ondas da Mitologia.

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