novidades e outras coisas

Pela mão amiga do João Tunes reparo que a “reacção” da “comunidade branca” referida no post anterior está em sequencia duma cronologia que se iniciara semanas antes com outros massacres, estes da autoria dos “brancos” contra “negros”:

 ” Para se falar de “reacção”, deve dizer-se, com mais propriedade, que “o massacre contra os colonos no Norte de Angola em Março foi uma reacção aos massacres da “comunidade negra” em Janeiro e em Fevereiro no Cassanje, em Luanda e outras cidades de Angola”.

 É uma questão de lógica cronológica. Embora um massacre não justifique outro massacre, o certo é que houve dois massacres de negros feitos por colonos, antes do massacre inverso (e outros massacres de negros por colonos e pela tropa se seguiriam após Março)”. (João Tunes)

 Isso faz-me recordar outro comentário que li (ou ouvi?) algures (senão no próprio documentário do Joaquim Furtado), citando Holden Roberto dezenas de anos depois, em que este dirigente reconhecia que os ataques de 15 de Março de 1961 haviam escapado ao controle da U.P.A.. Ontem, o documentário referia-se precisamente à repressão colonial de Janeiro e Fevereiro desse mesmo ano (Cassanje, Luanda), contextualizando a violência que seguiria depois.

O João Tunes também recorda que semelhantes barbaridades por parte da guerrilha em Angola não voltaram a se repetir, o mesmo não se podendo dizer das forças coloniais.

Desta chamada de atenção para a cronologia, ainda fico mais estarrecido com a falta de preparação das autoridades coloniais, em Luanda e em Lisboa, para tudo o que veio a acontecer após os acontecimentos de Janeiro e Fevereiro. Creio que os neo-salazaristas deveriam reflectir mais nos níveis de eficiência da governação de Salazar.

João, obrigado pela correção e leitura amiga!

Comentários a: "guerra colonial e cronologias" (11)

  1. antonio ribeiro said:

    É uma serie, muito bem feita, onde demonstra a realidade dos factos.

    PS: Não vi o episodio do dia 11 de Dezembro, será que me podem arranjar. obrigado (ribeiropsp@gmail.com)

  2. Antunes Ferreira said:

    Amigo
    Não o conheço, mas gostava de…
    Vim até aqui, o blogue parece-me muito bem feito. Parabéns.

    Acabei de publicar um livro sobre o tema. Permito-me juntar Nota Informativa para blogues. Se quiser fazer alguma referência, enviarei a capa do livro
    Henrique Antunes Ferreira
    ferreihenrique@gmail.com
    http://www.travessadoferreira.blogspot.com

    *****

    «Morte na Picada» – para ler e recordar
    • Contos da guerra em Angola da autoria de Antunes Ferreira
    «Morte na Picada», da autoria de Antunes Ferreira, numa edição da Via Occidentalis, está a caminho do sucesso. Aquando do seu lançamento na fnac do Colombo, no dia 15 de Abril (mais de 200 pessoas presentes) , Joaquim Furtado – um grande Jornalista, autor da série A Guerra Colonial, um enorme êxito na RTP – afirmou, na apresentação que o livro, «de que gostei mesmo muito», em seu entender, «é o melhor que, no género, e sobre o tema foi publicado em Portugal». O «Morte na Picada» tem no prelo a 2.ª edição.
    Recorda-se que o Correio da Manhã já há três semanas que está a proporcionar aos seus leitores a primeira parte dos programas de Joaquim Furtado em DVD semanal. A segunda série vai começar a passar também na RTP, muito brevemente.
    Entretanto, o autor deslocou-se a Coimbra e ao Porto e lá apresentou o livro, nas livrarias Bertrand dos centros comerciais Dolce Vita daquelas cidades, bem como autografou exemplares. A Bertrand é a distribuidora do volume, uma série de contos (short stories) sobre a guerra colonial de Angola, cuja acção decorre em meados dos anos 60.
    Antunes Ferreira tem vindo a conceder várias entrevistas a órgãos da Comunicação Social, entre os quais avulta o Diário de Notícias, em que trabalhou como jornalista durante 16 anos e de que foi Chefe da Redacção. Mas, outros jornais e rádios têm igualmente registado o acontecimento.
    A editora da obra é a Via Occidentalis, (www.via-occidentalis.blogs.sapo.pt) de Lisboa. No blogue podem ser consultados todos os dados sobre o livro, cujo preço de capa é € 14,70. Tem um prefácio da autoria de Joaquim Vieira e a capa e as fotos do interior são de Fernando Farinha, para muitos o maior repórter fotográfico da guerra de Angola.
    «Morte na Picada» tem sido muito bem recebido junto de ex-combatentes das guerras coloniais (ultramarinas) que, apesar de se tratar de ficção, vêm nas suas páginas um retrato muito próximo da realidade. o que não admira, pois Antunes Ferreira, que nela participou, tem a experiência daquilo que, segundo diz, «foi uma infelicidade, sobretudo porque estava contra esse crime».

  3. Antunes Ferreira, fica aqui a sugestão de leitura e obrigado pela visita.
    O tema da Guerra Colonial é, sem dúvida, imenso. E quem viveu esses tempos, dentro ou fora da guerra, tem sempre memória de algo que é interessante conhecer, mesmo se banal, mesmo se difícil de exprimir.
    um abraço

  4. Esta é a introdução ao livro CRONOLOGIA DA GUERRA COLONIAL editado pela PREFÁCIO EDITORA.

    http://ultramar.terraweb.biz/06livros_JoseBrandao.htm

    INTRODUÇÃO

    Esta é a cronologia de um dos períodos mais inquietantes da vida dos portugueses.
    São os anos entre 1961 e 1974 nos quais Portugal mergulhou numa guerra para alguns do Ultramar para outros Colonial.
    São treze anos de ansiedade, sofrimento e morte que atingiram praticamente todas as famílias portuguesas com consequências que ainda hoje perduram.
    Guerra que mobilizou mais de 800 mil combatentes da chamada Metrópole enviados para as distantes e desconhecidas matas de África onde alastrava a revolta apoiada por alguns países próximos.
    Em Angola, a partir de 4 de Fevereiro de 1961, na Guiné, a partir de 23 de Janeiro de 1963, em Moçambique, a partir de 25 de Setembro de 1964, a guerra é declarada pelos movimentos de libertação nacional que teimam em levar por diante o seu propósito de total independência do domínio colonial europeu.
    Pela parte portuguesa, a guerra era sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que era considerado território nacional, baseado no conceito de nação pluricontinental e multirracial. Pela parte dos movimentos de libertação, a guerra justificava-se pelo inalienável princípio da autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à sua luta.
    Guerrilheiros, ou terroristas – conforme a atitude política – resistem num terreno que lhes é familiar causando baixas nas Forças Armadas portuguesas como nunca se vira antes.
    Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas, morreram na Guerra de África 8.831 militares portugueses. Destas quase nove mil baixas, 3.455 aconteceram em Angola, 2.240 na Guiné e 3.136 em Moçambique.
    O Exército, ramo militar sobre o qual recaiu a maior parte do trabalho bélico, teve à sua conta a quase totalidade dos mortos – 8.290 homens. A Força Aérea, por seu turno, contou em 346 as suas perdas e a Marinha de Guerra enterrou 195 dos seus elementos.
    De acordo com a mesma fonte, 4.280 militares (48,5 por cento) morreram em resultado directo de acções de combate e 4.551 (51,5 por cento) em acidentes e doenças. Estas duas últimas causas de morte devem ser encaradas com reservas, já que havia na época a intenção clara de diminuir o número de baixas em combate tornado público.
    Com cerca de 9.000 mortos, cerca de 30.000 feridos evacuados, em mais de 100.000 doentes e feridos, dos quais resultaram perto de 14.000 deficientes físicos, (5.120 com grau de deficiência superior a 60 por cento) e ainda, possivelmente, 140.000 neuróticos de guerra, rara é a família portuguesa que não foi ferida pela Guerra de África. Os telegramas do Ministro do Exército a apresentar «mais sentidas condolências» pela morte «por motivo combate defesa da Pátria» de «seu filho soldado fulano tal», chegavam aos lares dos portugueses semeando a dor da perda de um filho, marido, pai, irmão ou outro grau de familiaridade existente.
    Sucediam-se os comunicados militares que diariamente o Ministério da Guerra mandava publicar nos jornais. “O Serviço de Informações Públicas das Forças Armadas comunica que morreram em combate, na Província de Angola, os seguintes militares:” e seguiam-se os nomes de mais uns tantos que, naquele ano, entre a noite de Natal e a de fim de ano, não iriam aparecer na TV, a desejar festas felizes.
    Moçambique foi o teatro de operações onde morreram mais militares em combate (1.569 em 10 anos de guerra), seguindo-se Angola (1.360 em 13 anos) e a Guiné (1.342 em 11 anos). Tendo em conta a duração da guerra em cada um dos teatros de operações, as tropas portuguesas sofreram por ano 157 mortos em combate em Moçambique, 122 na Guiné e 105 em Angola.
    Quanto ao número total de mortos, independentemente das causas oficiais da morte, as Forças Armadas portuguesas sofreram por ano 285 baixas mortais em Moçambique, 246 em Angola e 186 na Guiné.
    Do total de mortos nas três guerras, cerca de 70 por cento eram expedicionários recrutados na chamada Metrópole. No conjunto das três frentes de guerra, entre 1961 e 1974, morreram em média 630 militares portugueses por ano.
    E se os custos humanos foram de grandes dimensões para um pequeno velho país de menos de 10 milhões de habitantes, as perdas materiais atingiram um nível muito próximo do colapso económico. O esvaziamento dos recursos financeiros para a sustentação da guerra foi equivalente, ao longo dos treze anos de conflito armado, a uma média de trinta e três por cento do Orçamento do Estado, tendo-se ultrapassado, em toda a segunda metade da década de 60, os quarenta por cento.
    A cronologia que se segue pretende realçar esses treze anos da guerra de África com a exposição de alguns dos acontecimentos mais notórios ocorridos durante este período e, em paralelo, apresentar aquela que é a mais completa listagem, compilada ano a ano, de todos os que morreram nas três frentes de guerra.
    Dia após dia são relatados os factos do quotidiano militar nos três cenários de guerra, com especial relevo para os dias em que se registam nas forças portuguesas pelo menos duas baixas mortais em combate, procurando-se sempre que possível indicar o batalhão ou a companhia a que pertenciam esses militares.
    De igual modo se procede com a morte de militares de hierarquia acima de alferes ou com acidentes cuja dimensão ou impacto justificam referência.
    Tudo isto resulta na identificação de mais de 3.000 combatentes com dados e em moldes até agora nunca exibidos em contagens feitas às baixas em campanha.
    Em números redondos, morreram nas três guerras de África: 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1.600 cabos e 5.500 soldados e marinheiros.
    No final de cada um dos 13 anos desta cronologia estão listagens de todas as mortes ocorridas no ano em causa, ordenadas por data e expostas em separado por cada frente de combate. Com Angola a partir de 1961. Guiné a partir de 1963 e Moçambique a partir de 1964.
    Nessas listagens constam: Nome – Posto – Data da Ocorrência – Causa da morte – Unidade Mobilizadora – Ramo e Naturalidade de cada um dos falecidos nos 13 anos de guerra.
    É, na verdade, uma tarefa exaustiva de um evento histórico em que o autor foi um entre muitos milhares de participantes.
    Convém sublinhar que este é um trabalho centrado sobre a guerra em si mesma, embora procure enquadrar alguns aspectos mais significativos do dia-a-dia comum como sejam: as lutas laborais, as lutas estudantis e as movimentações políticas, sociais e culturais que acontecem no decurso destes 13 anos.
    A eventualidade de qualquer erro num projecto desta dimensão não retira a utilidade desta iniciativa enquanto instrumento de trabalho como são todas as cronologias. O que aqui fica poderá ser modesto na sua grandeza, mas é seguramente ambicioso no seu propósito: recordar e honrar os que morreram «lá longe, onde o Sol castiga mais».

  5. Consegui comprar alguns CDs da Guerra Colonial, mas falhei alguns, o que muito me desgosta.
    Como poderei conseguir adquirirvos que me faltam?
    Oliveira Machado

  6. Relativamente ao “comentário” acima publicado, no pretérito 5 de Agosto, por «José Brandão» – autor do auto-citado «livro CRONOLOGIA DA GUERRA COLONIAL editado pela PREFÁCIO EDITORA»:
    de seu nome completo José Augusto de Jesus Brandão, nascido em 1948 em Lisboa, operário metalúrgico mobilizado pelo RI1-Amadora para servir em Moçambique, embarcou no “Vera Cruz” em 31Out69 integrado na CCS do Batalhão de Caçadores 2895, com o posto de soldado e a especialidade de transmissões de infantaria: chegou ao Catur (Niassa) em 23Nov69, em Set70 mudou para o Furancungo (ZOT) e em Out71 reembarcou com aquele Batalhão e voltou a Lisboa.
    Um veterano de guerra. Como milhares de outros?
    Talvez. Mas com a particularidade de ser “compagnon de route” do PCP.
    O camarada José Brandão, passou a ficar «ligado à ARA desde 1972 como independente, participou no reconhecimento de vários objectivos [de terrorismo urbano selectivo], preso em 27Mar73, depois de 25Abr74 empregado da Carris e dirigente sindical, membro da comissão nacional (1980-88) e da comissão política (1985-87) do PS», conforme informação de Raimundo Narciso no seu livro «ARA – Acção Revolucionária Armada – a história secreta do braço armado do PCP».
    É sempre útil saber-se mais qualquer coisa, sobre um autor de mais uma cronologia da guerra “colonial”… e quais as suas respectivas fontes: bibliográficas; e não só.

  7. carlos almeida said:

    ola

    gostaria muito de ter informações sobre o meu pai que combateu em angola de 1961 a 1963 o nome dele é jose melo sousa almeida e é dos açores sao miguel a companhia dele era 195 e o numero dele era o 184, gostaria muito de conhecer os colegas dele. obrigado

  8. sou cabo verdiana queriamuito ver as fotos das tropas coloniaispode ser que encontreomeu avo

  9. José Nunes Valente said:

    Sou autor de um livro, cujo lançamente decorreu há pouco mais de um mês no Museu do Combatente. O título é “Angola, Afinal, Era Deles”. Este livro proporciona ao leitor uma viagem ao início da guerra colonial e dá-lhe conta da data e do local onde ecoaram os primeiros de todos os tiros da guerra colonial e que fizeram os primeiros mortos. Ocorreram na Baixa de Cassanje e antes mesmo do 4 de Fevereiro de 1961, o que tem sido ignorado por todos os que têm escrito sobre o assunto. Entretanto, tenho lido e ouvido muita coisa que não corresponde à verdade sobre esse início da guerra, o que me leva a crer que a história vai registar muitas imprecisões e referências de memórias já gastas pelo tempo. É pena que certas pessoas falem de situações como se as tivessem vivido e parecem dizer o que lhes vem à cabeça.

  10. fui militar em cabo delgado mocambique da cart 7259/73 e sou leitor de tudo que diz respeito a guerra do ultramar sei quantos mortos tivermos assim como os feridos agora gostaria de saber se for possivel quantas baixas houve na renamo e frelimo em mocambique na upa mpla e unita em angola e paigc na guine quantos baixas eles sofreram?
    obrigado

  11. joaquim gomes lopes said:

    quantos guerrilheiros terao morrrido em angola mocambique
    e guine?

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