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os pastorinhos de fátima

Eu sei que a Igreja pode ser acusada de ter pouca fé, fazendo-se valer de preconceitos científicos e, quiçá, de algum jacobinismo no modo como lida com o reconhecimento da santidade:

 A dificuldade está em ver se a diabetes da criança era do primeiro tipo ou do segundo tipo se for do primeiro, então é claro que o milagre era evidente”, mas “não é fácil avaliar” essa questão clínica.Por isso, “temos pedidos esclarecimentos aos médicos daqui” para avaliar a situação que neste momento se resume a “uma questão científica e médica”.
( O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal português Saraiva Martins in JN).

“Diabetes do primeiro ou do segundo tipo”?! De facto, quando vejo e ouço os tele-evangelistas nas suas cerimónias e em seus discursos, posso entender as vantagens da acção directa do Espírito Santo sobre a mediação dos Santos. Noutros tempos, a própria Igreja Católica era menos exigente nas provas científicas e bastava-lhe que a cura fosse instantânea, completa e absoluta. E lá estava o povo para garantir que assim era, mas esses eram tempos em que a voz do povo era a voz de Deus.

Porém, uma instituição tão velhinha como é a Igreja Católica tem suas razões, pois não é que se concluiu, já no sec. XX, que várias centenas de santos nunca chegaram a existir? Para além daquelas figuras polémicas, heréticas até, senão mesmo pagãs, a quem o povo (ou parte dele, que isso de povo é ainda mais complicado do que a santidade)  teima em prestar veneração.

Para mim (que à semelhança do Poeta digo “quem tem as flores não precisa de Deus”) fica-me sempre esta perplexidade perante tanto santo inexistente: e foram capazes de realizar, mesmo assim,  milagres durante séculos a fio!

O que importa é a Fé, sem dúvida: Caso os clínicos concluam que a cura poderá ter ocorrido por motivos naturais, será “preciso rezar aos pastorinhos para que façam um outro milagre mais claro”, acrescentou D. Saraiva Martins. (JN).

“Um outro milagre mais claro”? Maravilhosa síntese de fé e racionalismo.

Resta-me, finalmente, esta dúvida atroz quando um distinto prelado afirma que a quem aparece [ a Senhora de Fátima] é à Lúcia e à Jacinta, que a vêem e a escutam. Também é verdade que aparece ao Francisco, mas este somente a vê, não a escuta. O varão permanece discretamente em lugar secundário: será que o distinto varão estará em condições de escutar as rezas de quem lhe pede milagres mais ou menos claros?

 A falta de audição não prejudicará suas competências funcionais? Poderá ele realizar milagres, se é surdo às súplicas?

Porque o único sentido oculto das cousas

É elas não terem sentido oculto nenhum

(Alberto Caeiro)

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