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Arquivos para a Categoria ‘mundo livro’

Ontem assisti ao lançamento deste livro (cuja autora conheço e estimo) e ouvi algumas verdades evidentes, de todos bem sabidas, mas manifestamente esquecidas: o gosto e o hábito pela leitura cultivam-se ainda antes de se ensinarem as letras.
Como é possível semelhante prodígio não é propriamente segredo: contando (lendo em voz alta) histórias aos mais pequenos [...]

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Digo franco: feio o acontecido, feio o narrado. Sei. Por via disso mesmo resumo; não gloso. No fim, o senhor me completa. (in Grande Sertão: Veredas)

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Só o facto de permanecerem imunes à beleza deste livro já é assustador. (in A Origem das Espécies).
Não consigo recordar outro autor com uma escrita tão lúcida, fundamentada,  serena, discreta e aberta à crítica. Simultâneamente, poucos autores e poucos livros se podem comparar em importância para a ciência e, em geral, para a cultura.
Por todas [...]

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“Eh. Do demo?”

Ainda hoje, eu mesmo, disso, para mim, eu peço espantos. Qu’ é que me acuava? Agora, eu velho, vejo: quando cogito, quando relembro, conheço que naquele tempo eu girava leve demais, e assoprado. Deus deixou. Deus é urgente sem pressa. (in Grande Sertão: Veredas)

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futuro anacrónico

El pensamiento posado y reposado sobre el papel tiene determinados componentes de presencia que no pueden sustituirse fácilmente. (Emilio Lledó in el país)
A existência física dum texto seguro pelos dedos, a presença do livro no espaço da sala que nos chama a pensar nos assuntos lidos, as marcas do tempo e do leitor, bem podem ter um [...]

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Nunca ouvira antes falar de Herta Mueller, mas desde já fico interessado no que possa contar quem tenha nascido do lado de lá da Cortina de Ferro. Não se trata só da experiência sob a ditadura, mas duma voz oriunda  do mundo de cultura germânica espalhado pela Europa de Leste e que sobreviveu à IIª Guerra [...]

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(…) um indicador para se aquilatar a dinâmica cultural relacionada com a edição do livro nos nossos dias, sugerindo que se compare o universo da crítica literária e até polémica de outros tempos entre leitores e admiradores de Eça e de Camilo, lendo e discutindo um e outro autor, produzindo um incontável número de leituras, abordagens e textos críticos [...]

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Não é fantástica esta preocupação em fazer o funeral de quem está morto e enterrado faz algumas dezenas de anos?
“Rir de quê? De nada? Do nada? De não haver de que rir? O que era tremendamente cómico, precisamente por faltar o risível. Mas havia uma coisa de que eu podia-me rir. De continuar ali, quando [...]

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Alto eu disse, no me despedir: — “Minha Senhora Dona: um menino nasceu — o mundo tornou a começar!…” — e saí para as luas. (in Grande Sertão: Veredas)

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Que fazem as editoras com os livros que não se vendem? A resposta óbvia: reciclam-nos.
Bem mais lógico do que certas propostas absurdas como a seguinte: pergunto-me mesmo se não poderia lançar-se um Banco Editorial contra o Analfabetismo (ou contra a Iliteracia, o que seria mais realista), onde pudessem ser recolhidos os fundos editoriais que por [...]

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