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Arquivos para a Categoria ‘imago mundi’

luz incerta

As praias já foram lugares assombrados pela luz incerta de mundos desencontrados: colónias de pescadores do norte que desciam o litoral na busca de outras águas, trazendo consigo artes ancestrais; porta de entrada para piratas escandinavos e mouros na sua faina de pilhar mosteiros e povoados;

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Quem anda pelos velhos caminhos tem encontros inesperados, mas já poucos são os que temem o lobo. Os dias escuros, frios e húmidos são convite ao recolhimento, à reflexão, à melancolia. Ou assim era dantes. Há saberes que convocam os cinco sentidos, há aproximações só possíveis depois dum distanciamento. E a vida é impulso.

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Sortilégio de Inverno

Sob o manto brumoso do Inverno, o frio melancólico da terra alagada, da vida adormecida ou ausente. As hordas inconformadas dos veraneantes anseiam pelo seu fim, só o tolerando em formato postal das “férias na neve” ou na urbanidade da decoração de ruas natalícias. Os Antigos temiam-no, resignados ao ciclo da terra que se recolhe [...]

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miradouro

A luz vaga chega das águas a horas incertas: são dias que podem ser noites em que o abafar dos ruídos alumia as vozes ou realça sua ausência.

Quem desce a rua em direção ao rio arrisca-se a perder o sentido das urgências mais vale fazer amanhã o que pode ser feito hoje para viver [...]

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o labor da memória

Até o mais familiar dos percursos pode ser amedrontador: basta levantar os olhos e deixar-se surprender pela luz do céu sempre em mutação. Há fragmentos da cidade que levam o caminhante a questionar-se sobre o tempo que passa, possuído pela nostalgia dum tempo que não é o seu.

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rio adentro

As águas sempre tiveram um encanto perigoso, iludindo quem passa num jogo de reflexos e transparências. E porque haveriam suas imagens ser menos verdadeiras, porque teria de ser seu fundo mais apaziguador? Tranquilas à superfície, nada dizem da agitação que as move. Ou dizem muito… se calhar, dizem mesmo tudo. Talvez só o digam a [...]

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Luar de Janeiro

Cada lua mais longe para quem o procura, um mundo-outro revela-se ao luar.
Para muitos , estas são noites mudas. E são esses, ironicamente, os que se inquietam na expectativa do ruído após o silêncio. Como são os mesmos a se enervar ao estalarem gravetos por perto e se assustam com o piar agudo ao longe.

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Desde que viajar se tornou sinónimo de lazer, a descoberta cede lugar ao “reconhecimento”: capta-se a essência da cidade numa dúzia pequena de palavras, projectando sua imagem numa definição apelativa; seus habitantes, retratados em meia-dúzia de lugares-comuns, viram figurantes.

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