Nunca ouvira antes falar de Herta Mueller, mas desde já fico interessado no que possa contar quem tenha nascido do lado de lá da Cortina de Ferro. Não se trata só da experiência sob a ditadura, mas duma voz oriunda do mundo de cultura germânica espalhado pela Europa de Leste e que sobreviveu à IIª Guerra (My mother and especially my father, like all Germans in the town, believed in the beauty of blond plaits and white knee-length socks. In the black rectangle that was Hitler’s moustache, and in us Transylvanian Saxons being part of the Aryan race).
E, em ambos casos, recordar como a IIª Grande Guerra prolongou-se bem além da data da rendição alemã.
É curioso descubrir o que ignoramos sobre “o inimigo”. O que non sabíamos sobre os alemáns durante o nacismo, sobre os rusos durante o comunismo… e o que nos estaremos a perder sobre moitos habitantes de países musulmans hoxe en día.
Realmente é mais fácil detestar aqueles a quem retiramos os traços de humanidade. O mais chocante nas biografias dos piores ditadores é a sua “humanidade”, suas fraquezas, sua banalidade, tão familiares ao comum dos cidadãos.
Com os povos, a mim o que mais me fascina são as semelhanças por detrás da diferença superficial.