
E pensar que houve e continua a haver quem dê a vida ou arrisque a liberdade pelo direito ao voto...
Porque tem de ser um frete especial participar num acto eleitoral genuinamente democrático? E porque é que os assuntos “europeus” nos são tão distantes e indiferentes (apesar de abalarem fortemente o nosso dia-a-dia e determinarem, para o melhor e o pior, o nosso futuro)?
Talvez fosse diferente se as “famílias políticas” representadas no Parlamento Europeu fizessem campanha “regional” pelos diversos países e através dos seus membros “locais”. Aí podiam defender um programa à escala europeia (do mesmo modo como faz um partido nacional nas legislativas).
Surgiriam, inevitavelmente, as “grandes questões” e a abordagem ultrapassaria as temáticas nacionais (embora seja duvidoso elencar os “grandes” temas da campanha europeia em Portugal como temas nacionais, quanto mais europeus…).
Os representantes eleitos teriam, a meu ver, maior eficácia e responsabilidade. Assim como o eleitorado.
Havia um slogan “anarca”, em tempos que já lá vão, que argumentava que “se o voto é uma arma, não votes” (porque ficarias desarmado, suponho). Uma arma não é certamente, mas é triste a nossa cultura política obrigar a relembrar constantemente a importância das eleições livres e universais para os órgãos de soberania.
E uma coisa é certa: não basta votar em liberdade para que o exercício da cidadania tenha valor e eficácia. Mas isso é com cada qual (e com todos nós). Complicada coisa a Política. Em liberdade, bem entendido.
Como Cidadãos não nos devemos demitir de participar na vida politica e social, uma vez que somos nós os maiores interessados. Vida politica e social somos nós.
No entanto o descontentamento é muito. Isso significa que todos deverão intervir de forma sistemática, efectiva e activa. Se observarmos vermos, felizmente, alguns casos que nos dão sinais desta atitude. Só que ao contrario do que devia acontecer não aumentam o número, talvez até estejam a deminuir.
A nossa adesão à União Europeia foi fundamental. Acontece que desde há algum tempo, Portugal mantém-se estagnado e o facto de pertencer à União Europeia não está a facilitar nada.
Neste momento a União Europeia tem grandes dificuladade de eficiência. Por isso, Portugal assim como outros paises europeus estão em crise. Crise que é agravada pela crise internacional. É neste cenário que se levantam várias vozes (e bem) a pedir urgência para repensar esta Comunidade Europeia. Quem pode ficar indiferente a este estado de coisas? Ninguém está contente com o que se passa.
Esperemos de algo mude, rapidamente, para que voltemos a confiar nesta União Europeia!
Adelaide Pereia