(…) esta política merece o apoio do mesmo Governo que pretende investir 3,8 mil milhões de euros numa linha de alta velocidade entre Lisboa e o Porto.
O mesmo Governo que elegeu o Douro como um dos pólos turísticos prioritários para o país e que, no entanto, autorizou a construção de uma barragem no Tua que vai acabar com um dos mais belos troços ferroviários do país.
O mesmo Governo que quer povoar a Trás-os-Montes de auto-estradas e não investe um cêntimo no desenvolvimento, ou na manutenção, do caminho-de-ferro na região.
O mesmo Governo que, com o fecho das Linhas do Corgo e do Tâmega, dá uma machadada mortal no formidável projecto ferroviário do Douro
(in Publico)

estação de Barca d'Alva
Tinha cerca de 9 anos de idade, da primeira vez que viajei no comboio da linha do Corgo que, na altura, ainda ligava a Régua a Chaves, tendo como destino a terra de onde a minha mãe é natural: Carrazedo. É um percurso formidável.
Durante cerca de 8 anos passei férias nesse lugar.
Actualmente tenho 36 anos e um filho com 8. Pretendia levá-lo uns dias à terra da avó, nas férias de Verão, para que conhecesse o lugar, para que crescesse com aquela referência.
Antecipei a viagem que faríamos desde a Régua a Vila Real e que se gorou com a notícia do encerramento da linha.
O pretexto anunciado pelo Governo para o encerramento poderá ser válido é isso que me incomoda. O que de facto me preocupa é a quase certeza de a criculação naquela linha não será retomada, a pretexto de um qualquer progresso: essa figura que se invoca por entidades governamentais e que às gentes daqueles lugares nada diz, porque o progresso por eles reclamado nada tem que ver com que lhes é proposto, pela cambada de iluminados da cidade, completamente alheios às realidades específicas das regiões do país.
corecção: O pretexto anunciado pelo Governo para o encerramento poderá ser válido e não é isso que me incomoda.