Ah, o discurso do presidente! (já me ia esquecendo…)
Como sou um simples sem responsabilidades, nem actividade política, ou outra digna de menção, confesso que o mais importante do discurso é ter-me apercebido de que o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores foi aprovado por unanimidade pela Assembleia da República.
Quer isso dizer, entendo eu de que, o quê?
Que os deputados, eles mesmos, aprovam leis sem pesarem e sopesarem devidamente sua forma, seu conteúdo e suas consequências? Que a(s) oposição(ções) anda(m) a dormir? Que não há comunicação entre os órgãos de soberania para saberem da opinião uns dos outros, de modo informal mas eficiente? Ou há e estão pouco se lixando?
Como não sei, nem sei, fico-me por aqui.
“E o discurso?” pergunta-me o país curioso.
Bem, glosando ilustre comentador televisivo dominical, direi que esteve bem no conteúdo e esteve mal na forma. Do que esteve bem não falo porque não percebo dessas coisas de anticonstitucionalidades, mas a avaliar do que ouvi seria mais fácil dissolver a Assembleia da República do que a Assembleia Regional dos Açores, pelo que não digo mais nada. Quanto ao que esteve mal… pois foi aquilo que todos falam: o anúncio inopinado da comunicação, o destaque para a interrupção das férias (coisa que em Portugal só se faz quando morre parente próximo), a expectativa gerada.
Está-se mesmo a ver que o efeito do anúncio da próxima comunicação presidencial extemporânea não pertubará o jantar da maioria das audiências dos canais generalistas.
O que, pensando agora cá para os meus botões, também me leva a duvidar se haverá uma oculta intenção presidencial. Pois não seria mais simples enviar um fax do discurso aos partidos e dar-lhes conta das suas objecções? Afinal, somos todos amigos e gostamos de nos ajudar uns aos outros.