Hoje na SIC fui surpreendido com esta reportagem “Cabaz da Horta“. Pelo que vi, uma associação formada por malta na casa dos vinte, trinta e poucos, “instalou-se” numa região deprimida demografica e economicamente (concelho de Odemira), e criou projectos para a população, maioritariamente idosa, ainda ligada à agricultura, de modo a esta ganhar auto-estima e algum dinheiro.
Como? Organizando um sistema de recolha e distribuição dos produtos da horta (e quem não a tinha passou a tê-la) fazendo-a chegar junto dos consumidores no formato dum cabaz com os diferentes produtos da terra, a preço muito acesível.
Ao que parece, inspiraram-se num modelo oriundo do Japão, já com 40 anos, que recuperava prácticas agrícolas em desuso com o próprio interesse dos consumidores pelos “produtos da horta”. Em Portugal, fizeram-no tão bem que a experiência já se estendeu por outras localidades fora do Alentejo e despertou interesse além fronteiras.
Parece, também, que já tem alguns anos a actividade desta associação. O que me faz pensar que ando muito distraído na leitura de jornais e revistas. Devo estar, inclusivé, desatento aos programas noticiosos e de informação dos canais de televisão. Pior: tenho perdido matéria fundamental sobre a economia, a criatividade e o empreendedorismo em Portugal. Pois nunca havia ouvido falar de tal exemplo da capacidade de se fazer tanto com tão pouco. Tenho de andar mais atento…
Outra coisa curiosa, essa muito portuguesa, com certeza: a associação já esteve, ou ainda está, com receio de não poder dar continuidade ao projecto por atrasos nos pagamentos dos subsídios a que tinham direito. Creio que eram 25 funcionários com seus empregos ameaçados, mais o concelho de Odemira em risco de perder uma das melhores coisas que lhe aconteceu nas últimas décadas. Parece que foram 3 (três) anos de atraso. Da parte do Estado Português (certamente com necessidade de arranjar dinheiro para pagar mais um estudo para a instalação do aeroporto na Ota).
Outra curiosidade, também muito cá da casa: fizeram referência a um bairro habitacional ilegal, clandestino, que vem crescendo há muitos anos em reserva agrícola e, por isso, não tem infra-estruturas básicas (sabem o que é: saneamento, ruas, não sei se electricidade e água potável). Quando já estava a rogar pragas à autarquia, aparece o Presidente da Câmara de Odemira a explicar o que se passava: legalizar não podia, era decisão que ultrapassava os poderes locais; expulsar as pessoas também não, porque não tinham mais onde morar. Já havia exposto aos poderes “superiores” para que tomassem uma decisão, mas, aparentemente, não há interlocutor. E são precisos dois, para se dançar o tango…
Entretanto, e esta parte quase me fez cair da cadeira de tanto rir, as finanças cobram-se da contribuição autárquica, a câmara passa multas, e aquela gente continua ilegal, “clandestina”.

Também vi a dita reportagem. Adorei. Nos tempos que correm em que as gerações mais novas pouco tempo e paciência teêm para os mais velhos, é de louvar a forma como este grupo de jovens se interessou pelo maior problema do seu concelho.
Por outro lado, nada de louvores, a forma como o nosso Estado/Governo apadrinha e apoia estas iniciativas ( 3 anos para pagar os apoios prometidos).
Espero que a Taipa consiga continuar a remar contra as marés e que o seu projecto siga um caminho viçoso. Pelo meu lado, na próxima vez que me deslocar a Odemira (terra linda) irei contactar a Taipa para que possa adquirir um dos ditos cabazes.
Também gostei imenso da reportagem da SIC, agora preciso dos contactos para poder encomendar um cabaz, além do mais passo férias em Vila Nova de Mil Fontes, e nunca por lá vi o Cabaz da Horta.
Fico à espera, obrigada pelos contactos,
Sofia
Também vi a reportagem e achei muito interessante. foi dito que o cabaz também existe em Palmela. gostava de saber onde para poder encomendar um cabaz.
Meus caros,
foi com muito gosto que li os vossos comentários e em nome de toda a equipa da Taipa, agradeço o vosso interesse.
De facto até a nós a reportagem surpreendeu, pela honestidade, genuinidade, simplicidade e verdade…sabem como é, temos sempre receio do jornalismo. Mas nada mesmo a apontar, porque foi um espelho vivo da nossa realidade.
Gostava de deixar aqui o site da Taipa:
http://www.taipa-desenvolvimento.pt, assim como responder às perguntas:
- Cabaz da Horta em Odemira, contactos – são dos agricultores pois o processo está completamente nas mãos deles: ao sábado: Alice – 283933202; à Quarta: Mª Antónia – 967260672 (mas é importante que percebam que comprar um cabaz não é o mesmo que ir a uma loja e adquirir um produto qualquer, comprar um cabaz implica um compromisso de continuidade entre o produtor e o consumidor)
- Em Palmela, deverá consultar: http://www.prove.com.pt
Mais uma vez obrigada e ficam todos convidados para virem a odemira nos dias 16 e 17 de Maio para conhecerem de perto o sistema Re.Ci.Pro.Co. (Relações de Cidadania entre Produtores e Consumidores):
Hortas Vivas
Relações de Cidadania entre Produtores e Consumidores
16 e 17 de Maio
Zona Ribeirinha – Odemira
Programa
Dia 16 – sexta-feira
10h – Abertura da exposição
10.30h – Encontro Re.Ci.Pro.Co., Odemira
Mesa de Abertura
Rui Baptista – Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural
José da Veiga – Direcção Regional de Agricultura
Manuel Coelho – Presidente da Assembleia Municipal
António Camilo – Presidente do Município de Odemira
Telma Guerreiro – Taipa/Rede Re.Ci.Pro.Co.
11.30h – De um cabaz da Horta e de uma Relação de Cidadania entre Produtores e Consumidores – Hélder Guerreiro
12.00h – Experiência Francesa – AMAP (Toulouse)
13.00h – Pausa para almoço
14.30h – Experiência da ADDLAP/Criar Raízes (S. Pedro Do Sul)
15.00h – Experiência da ADREPES / Prove (Palmela/Sesimbra)
Em paralelo
14.30h – 16.00h – Mesa Redonda 1- Troca de experiências entre o grupo de produtores, dinamizado por Rosário Oliveira (Universidade de Évora) Mesa Redonda 2 – Troca de experiências entre o grupo de consumidores dinamizado por Patrícia Rego (Universidade de Évora)
16.00h – Pausa para Café (com produtos tradicionais)
16.30h – Apresentação das conclusões pelo grupo de agricultores, consumidores e comentador
17.30h – Debate
Dia 17 – Sábado
10.00h – Reunião, Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.
14.30h – Sessão de sensibilização – Alimentação responsável
16.00h – Apresentação do trabalho da associação Colher para Semear
17.30h – Actuação do grupo etnográfico: Gentes do alto Mira
Nos dois dias:
Mostra de Produtos dos territórios da Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co (TAIPA, Crl, ADREPES, ADDLAP)
Exposição sobre o trabalho desenvolvido pela Associação Colher para Semear no Concelho de Odemira (levantamento de Sementes)
Mostra dos trabalhos desenvolvidos pelas entidades locais envolvidas no projecto “Há vida na Horta”:
. Jardim-de-infância Nossa Senhora da Piedade
. Casa Beatriz Gambôa
. Colégio Lápis de Cor Sonhador
. Agrupamento de Escolas de Odemira
Espaço Lúdico para as crianças, com actividades relacionadas com o tema
Organização: TAIPA, CRL., Consumidores e Produtores do Cabaz da Horta de Odemira
Financiamento: Município de Odemira
Apoio: Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural
Inscrição gratuita por telefone/ Email/ Fax
Tel: 283320020; taipa@taipa-desenvolvimento.pt; Fax: 283320029
Para qualquer esclarecimento adicional:
Telma Guerreiro – 969861979;
Paula Lourenço: 961503590
boa tarde,
Quero deixar-vos uma mensagem, continuem a divulgar o vosso projecto,louvo-vos, e entrem por esses campos fora e falem com as poucas pessoas que por ali estao.Não deixem morrer o pouco que por ali temos. Uma vida saudavel, cansativa, mas pura. São vocês que podem fazer algo de bom pelo que resta. Quem sabe ainda falarei com voces, por esa razão. Não fiquem só na Corte brique, porque Cort~-Sevilha, Torquines, Moitinhas e —— também fazem parte do concelho de Odemira.
Força e vamos todos com forca divulgar estes projectos, não deixemos morrer o nosso Concelho, mas temos que se unir-
Obrigada
A Taipa e a Prove depois da divulgação dos seus produtos primeiro na sic e depois na RTP precisam de alargar a sua rede de distribuição às grandes cidades, ou seja Almada e Lisboa. Há tal como eu gente interessada nos seus produtos e dispostos a pagar um taxa de transporte. Pensem nisto.