Num artigo banal de hoje no DN, resume-se a cultura política portuguesa dominante:
Para Tomás Gomes o Plano Nacional de Barragens é “uma boa notícia” para o sector que, entre 2002 e 2007 sofreu uma quebra de mais de 20% nas vendas, estando “ávido de obras.” “Estes projectos virão dinamizar a construção”, sublinha. O que o preocupa é o atraso no arranque das obras.
(…) Entretanto, Foz Tua, a maior das dez barragens já está entregue à EDP [empresa fetiche de qualquer governo que se preze], única candidata ao concurso para a sua construção e exploração.
(…) “Estamos interessadíssimos neste processo das barragens, (…) ainda não tive oportunidade de ver em detalhe a apresentação, nem conheço o caderno de encargos. Por isso não vou comentar”, disse ontem Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal. [ e ex-Secretário de Estado da Energia]
A Galp, outra potencial candidata[ e outra empresa fetiche de qualquer governo que se preze], também se recusou a comentar, o anuncio feito na presença do primeiro-ministro, José Sócrates.
Fonte oficial da Iberdrola [se bem me lembro, o actual presidente da Iberdrola Portugal, Pina Moura, foi também ex-Ministro das Finanças], por seu lado, admite que a eléctrica espanhola vai analisar as condições dos concursos, logo que elas sejam conhecidas, e só depois se pronunciará sobre eles.
De todos os nomes referidos, para além do primeiro-ministro, sobra o de Tomás Gomes na qualidade de (e muito naturalmente) feliz representante da Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas do Sul.
Perante tamanha cultura política e “avidez por obras”, que se calem os que dizem que “não resolve problema nenhum porque as dez barragens juntas só vão produzir três por cento da energia que se consome em Portugal, sendo a taxa de crescimento anual de consumo de quatro por cento.
