De repente, voltam-se a assistir a manifestações de rua, com frequência e adesão significativa. Umas mais “inovadoras”, como as dos professores convocadas via sms e com direito a identificação policial das pessoas que prestam declarações aos media. Outras tão clássicas que surpreendem por já não se verem há muito, como a recente do PCP contra o Governo (PCP mesmo, sem aditivos, nem placebos), e a convocada pelo PS em apoio ao Governo.
Perante esta dinâmica que faz lembrar outros tempos, há quem lembre que a marcação da data da última greve geral havia sido criticada no interior da própria CGTP, inviabilizando a sua marcação para um momento mais propício e que é o actual.
Em breve se instalará a polémica reincidente, entre os gritos de “Governo para a rua!” e os doutorais avisos de que “o poder não pode cair na rua”, sobre governos com legitimidade democrática que governam com políticas impopulares (mas necessárias) e governos impopulares que perdem legitimidade (e desencadeiam protestos populares). Essa é uma má polémica, porque o que está em causa não deverá ser a legitimidade do governo governar conforme entende, nem deveria se admitir o risco de um governo com maioria parlamentar cair por causa dos protestos de rua e sondagens desfavoráveis.
Porém, polémicas assim tanto alimentam o medo do vazio e reforçam os tiques autoritários, como provocam pânico entre as estruturas partidárias no poder, cedendo à pressão.
A polémica, ou polémicas, que estas manif’s todas suscitam e que são pertinentes para o país, andam todas à volta das políticas que se pretendem, dos custos que implicam (e quem os suporta) e das vantagens a obter (e a quem beneficiam). E para cada política proposta, hão-de se levantar mil e uma críticas. Este é o grande “defeito” das democracias: perder muito tempo a discutir, antes de se fazer alguma coisa de jeito…mas alguém já inventou melhor sistema?
Porque depois, bem agitadas as bandeiras (as de pano e as das ideias), há-de chegar a hora de manifestantes, partidos e governantes se sujeitarem ao veredicto popular nas urnas. E já não falta tanto tempo assim.

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